O governo do Estado pretende renegociar o contrato de R$ 107,856 milhões, firmando em junho do ano passado com o consórcio formado pelas empresas cariocas Mi Montreal Informática Ltda. e a Optiglobe Telecomunicações Ltda., para prestação de serviços de informática e gerenciamento das informações do Detran-PR.

A determinação foi tomada pelo governador Roberto Requião na reunião realizada ontem, no Palácio Iguaçu, com o diretor do Detran, Marcelo Almeida, o procurador-geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, o secretário para Assuntos Estratégicos, Nizan Pereira, e o diretor da Companhia de Informática do Paraná (Celepar), Marcos Vinícius Mazoni.

Segundo Almeida, os diretores da empresas serão convocados para uma reunião que deve ser realizada na próxima terça-feira (22). Ele explica que houve concorrência pública para a contratação dos serviços, mas ressalta que o governo não concorda com o valor do contrato e nem que todas as informações do Detran paranaense sejam armazenadas em centrais de informática em São Paulo e no Rio de Janeiro, como pretendem as empresas.

Pelo contrato, o governo pagaria R$ 2, 247 milhões em 48 parcelas por toda informatização e o gerenciamento do sistema do Detran. A Mi Montreal ficaria com 78,36% do valor total do contrato e a Optiglobe com 21,64%.

Até o momento não foi entregue o sistema prometido pelas empresas e os serviços prestados pelo consórcio se resumiram a contratação de 300 funcionários para fazer o atendimento telefônico e a instalação de novos equipamentos. “As diretrizes para os serviços de informática do governo do Estado não é mais terceirizar os serviços mas valorizar e capacitar a Celepar. Além disso, os serviços prestados pelas duas empresas são muito caros e não são necessários para o Detran”, disse Almeida.

Celepar

Segundo o diretor da Celepar, Marcos Vinícius Mazoni, a Companhia já armazena e administra todas informações do cadastro de veículos e de condutores do Detran e a intenção é ampliar o atendimento. Mazoni também criticou o envio de todas as informações do Detran para as centrais das empresas em São Paulo e Rio de Janeiro. “A opção de ter o centro de processamentos de dados fora do Estado, ficando a mercê dos serviços de telecomunicações, não me parece a solução ideal. Pelo contrário, é uma situação que coloca em risco toda a possibilidade de continuidade dos serviços caso haja, por exemplo, a interrupção das telecomunicações. A solução fica mais distante do problema e isso é um erro”, explicou.

Mazoni ressaltou que a Celepar é a mais antiga empresa estatal de informática do país e que ela tem profundo conhecimento de gerenciamento de sistema de informação de veículos e condutores. Segundo ele, a Companhia, que tem orçamento anual de R$ 700 mil, é reconhecida nacionalmente como um centro de excelência na área. “Temos as pessoas ideais para tocar esse projeto e o governo do estado não precisa ir buscar fora dos seus quadros funcionais uma solução para a questão do trânsito. Já temos aqui os melhores técnicos do país”, afirmou.