Enquanto o Itamaraty se prepara para atacar amanhã, na Organização Mundial do Comércio (OMC), os subsídios americanos à agricultura, deputados dos Estados Unidos conseguem incluir uma cláusula na nova lei agrícola americana que prevê aumento de subsídios para produtores de açúcar que queiram transformar a cana em etanol. A primeira fase da disputa entre Brasil e EUA começa amanhã, em Genebra. O Itamaraty fará o maior questionamento já realizado contra os subsídios americanos – 75 programas de apoio aos agricultores serão atacados.

Os americanos não dão sinais de que estão dispostos a abandonar as práticas. No fim da semana passada, o lobby do setor açucareiro nos EUA conseguiu incluir um instrumento que permitirá que parte do excedente da produção de cana no país seja financiada para se tornar etanol todas as vezes que o volume de açúcar no mercado local ficar acima do consumo. A produção americana ocorre tanto a partir de beterraba, no norte do país, quanto a partir da cana, nos Estados do Sul. O excedente poderá surgir quando o comércio de açúcar com o México for liberalizado, medida prevista para janeiro de 2008, depois de um período de transição de 15 anos.

A partir do ano que vem, os mexicanos poderão exportar o produto sem qualquer restrição. Diante desse cenário, os americanos temem perder mercado para o açúcar mexicano. Mas não querem parar de produzir. A solução deverá ser a transferência de parte do cultivo para as usinas de etanol, que hoje dependem do milho. A American Sugar Alliance, entidade que representa o setor do açúcar, apóia a idéia. Para o grupo, o etanol é uma opção para impedir que o mercado local fique ?desequilibrado?. Mas a entidade admite que um ?certo montante? de subsídios terá de ser disponibilizado para o mecanismo funcionar.

As informações são do jornal O Estado de S.Paulo