Os principais produtos agrícolas projetam uma renda de R$ 143,03 bilhões em 2008, a maior estimativa feita até hoje no Brasil. As lavouras de cana-de-açúcar, milho e de soja representam 57,3% desse valor. Descontada a inflação, a renda prevista é superior em 14,4 % à obtida no ano passado (R$ 125 bi).

Os números são resultados do estudo comparativo do acompanhamento mensal da renda agrícola realizado pelo coordenador de Planejamento Estratégico do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), José Garcia Gasques, a partir de dados do Levantamento Sistemático da Produção agrícola (LSPA) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e dos Preços Recebidos pelos Produtores, da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

?A maior parte dos produtos deve ter este ano uma situação melhor em termos de renda em relação ao ano passado?, avalia Gasques. ?O destaque é para o aumento da renda do arroz, laranja, batata inglesa, café, feijão, mamona, milho, pimenta do reino e soja. Mas o aumento mais importante deve ser do feijão, cuja renda deverá ser 85,4 % maior que a de 2007?, ressalta o coordenador.

Alguns produtos deverão sofrer uma redução de renda, em relação ao ano passado: algodão herbáceo, banana, cacau, cana, fumo, tomate, trigo e uva. Para esses produtos, os preços ou os volumes interferem e podem diminuir valores em relação a 2007.

Uma situação favorável de preços e também de maior quantidade de produto a ser obtido para o aumento da renda agrícola estimada para 2008. Gasques lembra que a safra para este ano, prevista pela Companhia Brasileira de Abastecimento (Conab), vinculada ao Mapa, é de 139,3 milhões de toneladas de grãos, superior em 5,8 % à do ano passado.

Os preços internacionais favoráveis, os baixos estoques mundiais de alguns produtos, o aumento da demanda mundial de alimentos e a pressão dos biocombustiveis, são os principais fatores que têm colocado os preços de grãos, e também de carnes, em patamares elevados em relação aos outros anos, observa Gasques. O valor de desempenho da agricultura é importante, pois sinaliza para o mercado qual o comportamento e a tendência das commodities.