Melhorar os resultados financeiros é a meta de todo empresário. A questão é: o que fazer para reduzir perdas, aumentar a produtividade e, conseqüentemente, o lucro? Estatística internacional revela que o custo da má qualidade oscila entre 25% e 40% do faturamento de uma empresa, seja uma escola, hospital ou hotel.

?Existem muitas empresas no nível da inocência: medem erros, mas não sabem como eliminá-los; convivem com perdas, mas nem sabem que as têm?, constata o engenheiro eletrônico Regis Blauth, professor e consultor da FAE Consulting. ?O que acontece com a globalização é que a empresa usa ferramentas para diminuir as perdas. Com isso, reduz custos e se torna mais competitiva?, ressalta.
Uma dessas estratégias para chegar ao ?erro zero? é o Seis Sigma, uma filosofia introduzida em 87 na Motorola, que busca permanentemente a qualidade, com o foco na melhoria de processos. No Brasil, chegou em 97. A implantação desse conceito, que não se aplica somente a grandes corporações, deve ser conduzida pelos próprios administradores, diretores e colaboradores da empresa, pelo fato deles atingirem diretamente o cliente. ?No PIB do Brasil, o Seis Sigma paga a dívida externa?, exemplifica Blauth.
?Ao observar que somente 33% da rede hospitalar brasileira tem programas de combate à infecção hospitalar, vemos reforçada a necessidade de diminuir as perdas?, destaca o professor. O método Seis Sigma tem como meta chegar a 3,4 defeitos em um milhão de oportunidades. Para ser mais específico, significa uma carta extraviada em 300 mil postadas, 2 minutos de água potável em um ano (525.600 minutos) de fornecimento, ou ainda 5 casos de infecção hospitalar em 1.470.580 internações.
O programa
Entre as ações que podem ser desenvolvidas pela empresa dentro dessa estratégia, o especialista cita: divisão dos lucros, distribuição de dividendos para acionistas, repasse de descontos para clientes e adoção de práticas de responsabilidade social. ?Existem incentivos governamentais que as empresas desconhecem?, salienta.
Blauth explica que o programa Seis Sigma exige uma mudança de comportamento e comprometimento de todos, do chão de fábrica até a alta administração. Na fase de planejamento preliminar, orientada por consultores, o objetivo é medir a lacuna que existe entre empresa e cliente (gap), para depois decidir que investimentos serão necessários. ?Ensinamos as pessoas a serem produtivas. No momento em que alguém rompe o ciclo da improdutividade, sobra dinheiro. Quem tinha desperdício de 25%, passa a ter perda de menos de 1%. Os 24% podem ser aplicados em equipamentos, treinamentos, melhoria de infra-estrutura?, detalha Blauth.

Após a elaboração do projeto, inicia-se a fase de treinamentos específicos para líderes de projeto, líderes de equipe e chão de fábrica. ?Nossos empregados tem dificuldades nas necessidades básicas, por isso não costumam ter muito interesse em se comprometer com o patrão?, ressalta. ?Não adianta nada a empresa usar algumas ferramentas do Seis Sigma e servir refeições sem qualidade?, cita.
Os resultados dos programas Seis Sigma surgem do segundo ao quarto ano após a introdução do conceito. ?Até lá é preciso investir, acreditar no negócio e capacitar?, enfatiza. No Brasil, a maioria dos empreendimentos hoteleiros trabalha com expectativa de retorno do investimento em três anos, enquanto na Europa, se espera 25 anos em média. ?Se a empresa quer resultados rápidos, terá que correr grandes riscos?, comenta.

Cursos de gestão

?Estratégia, Qualidade e Produtividade Seis Sigma? é apenas um dos cursos de capacitação ofertados pela FAE Consulting, braço de negócios da FAE Business School. No ano passado, a consultoria criou diversos Institutos de Gestão. ?A proposta é levar rapidamente módulos reunindo profissionais de determinada área em um hotel, durante períodos de 8 a 16 horas onde se discute o assunto. Não é nada de teoria, partimos direto para a prática com pessoas que possuem um grau de conhecimento prévio?, explica Nilson Danny Nogacz, consultor da FAE Consulting. Entre os módulos ofertados, estão: Marketing, Direito Empresarial, Gestão de Varejo e Gestão Hospitalar. (OP)