A dez dias da data em que o governo dos Estados Unidos deve atingir o limite de endividamento, de acordo com cálculos do Departamento do Tesouro, democratas e republicanos do Congresso ainda parecem distantes de um entendimento. O líder da Câmara, o republicano John Boehner, voltou a atrelar o debate sobre a elevação do teto da dívida à definição do Orçamento para 2014, enquanto o secretário do Tesouro, Jack Lew, alertou que o Congresso está brincando com fogo.

Ontem, Boehner afirmou que não vai aprovar uma elevação no limite de endividamento dos EUA sem que antes sejam discutidos os gastos de longo prazo do governo e as provisões do Orçamento para 2014. Em entrevista à rede ABC, Boehner novamente culpou o presidente Barack Obama por se recusar a negociar com os republicanos e disse que o Congresso não pode aprovar um plano de gastos que não inclua uma discussão dos problemas fiscais.

Também em declarações na televisão, Lew acusou “partes mais extremistas do Congresso” pelo prolongamento da paralisação do governo e disse que a administração ficará quase sem recursos para operar após o governo federal atingir o limite da dívida, no dia 17 deste mês. “O Congresso está brincando com fogo”, afirmou Lew à CNN. “Nunca chegamos ao ponto em que o governo dos EUA operou sem a capacidade de empréstimo. Isso é temerário porque não existem boas opções se ficarmos sem capacidade de empréstimo e sem dinheiro”, disse.

Diante do impasse, a paralisação parcial do governo dos EUA entrou na segunda semana e não há sinais de que um dos lados esteja disposto a ceder em alguns aspectos, o que se reflete negativamente nos mercados. As principais bolsas europeias operam em baixa nesta manhã, assim como os índices acionários de Nova York, enquanto o dólar é pressionado diante de moedas consideradas portos seguros, como o iene e o franco suíço.

Apesar disso, há quem defenda que não existem motivos para alarme, como a agência de classificação de risco Moody’s. Segundo Raymond McDaniel, executivo-chefe da agência, não há possibilidade de um default do governo dos EUA, mesmo se um acordo sobre a elevação do teto da dívida não for alcançado até meados de outubro. “É extremamente improvável que o Tesouro dos EUA não continue pagando suas dívidas”, afirmou McDaniel em entrevista à rede CNBC.