Em encontro reservado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta manhã, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, alertou que seu país não conseguirá recuperar os níveis de consumo do passado e que as nações antes focadas nas exportações para o mercado americano devem impulsionar o consumo interno. Segundo o assessor da presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, que acompanhou o encontro, Obama insistiu com Lula que houve uma transformação na economia real americana. Apesar da injeção de US$ 800 bilhões no pacote de recuperação dos EUA, haveria trilhões de dólares “perdidos”.

Durante o encontro, o presidente americano destacou os esforços de seu governo para recuperar a estabilidade do sistema financeiro no EUA. Obama discorreu, em especial, sobre o novo modelo de regulação das instituições do setor. Já Lula detalhou as medidas adotadas pelo Brasil e até esnobou, ao informar que a indústria automotiva brasileira alcança níveis de produção superiores aos de anos anteriores.

O presidente brasileiro aproveitou o encontro para expor seu temor de que o G-20 – grupo que reúne os principais países emergentes – venha a “empurrar a crise com a barriga”, sem implementar as reformas com as quais seus líderes se comprometeram nas duas reuniões realizadas desde dezembro passado. Mais especificamente, Lula reclamou que algumas medidas importantes – como a retomada das negociações da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) e a liberação de recursos pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para países em desenvolvimento em dificuldades – continuam apenas no papel.