Washington

– Alarmado pelos sinais de que a recuperação econômica dos EUA pode estar falhando, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) reduziu a taxa dos Fed Funds em 50 pontos-base, para 1,25%, o primeiro corte em 11 meses, mas sugeriu que não está inclinado a fazer uma nova redução no juro no futuro ao retirar o “viés” de baixa. O Comitê de Política Monetária do Fed (Fomc) votou de forma unânime pelo corte de 50 pontos-base, que ficou acima da expectativa geral de uma redução de 25 pontos-base, trazendo a taxa dos Fed Funds para o menor nível em 41 anos.

O Comitê disse que os riscos de uma nova desaceleração econômica agora estão “equilibrados” com o risco de inflação indicando nenhuma necessidade provável para novo corte no juro. “O Comitê continua a acreditar que uma posição acomodativa da política monetária, combinada com o crescimento adjacente ainda robusto da produtividade, está proporcionando apoio importante à atividade econômica”, diz a nota divulgada pelo Fomc. “Contudo, indicadores econômicos que têm saído tendem a confirmar que uma incerteza maior, em parte atribuída a riscos geopolíticos maiores, está atualmente inibindo os gastos, a produção e o emprego”, segue a nota.

“O afrouxamento monetário adicional de hoje deve mostrar-se útil, à medida que a economia trabalha para superar seu atual ponto fraco”, diz a nota. O conselho de diretores do Fed também aprovou a redução da simbólica taxa de redesconto de 1,25% para 0,75%. A decisão do Fed surpreendeu Wall Street, pois apenas 6 dos 22 primary-dealers (bancos, corretoras e instituições autorizadas a operarem diretamente com o Fed no mercado aberto) esperavam um corte de 50 pontos-base na taxa dos Fed Funds.

Tal corte deverá impulsionar os preços das ações, mas apenas temporariamente, disseram economistas. Chris Wolfe, analista do JP Morgan em Nova York, disse que a avaliação do Fed sobre a economia “implica que o crescimento da receita das companhias norte-americanas será mais fraco do que se esperava”. O Fed trabalhou fervorosamente ao longo dos últimos dois anos para reativar a economia, que mergulhou em recessão no início de 2001.

As autoridades reduziram a taxa dos Fed Funds em 5 pontos porcentuais desde então, dando à economia o maior estímulo monetário em pelo menos duas décadas. Contudo, a economia continua derrapando. Mesmo assim muitos economistas não vêem uma recessão no horizonte. Para 2003, as previsões são de um crescimento econômico de pelo menos 3%, ligeiramente acima de 2002.