Os temores relacionados à amplificação dos problemas nos financiamentos imobiliários de risco (subprime) nos EUA movimenta os mercados de títulos do Tesouro dos Estados Unidos e de moedas. Os juros dos Treasuries (títulos do Tesouro) estão próximos das mínimas, enquanto o dólar cai forte, projetando o euro para novo recorde. A ansiedade com o discurso do presidente do Federal Reserve (banco central americano), Ben Bernanke, às 14 horas (de Brasília), também contribui.

Às 10h22 (de Brasília), o juro do papel de 10 anos do Tesouro dos EUA caía 1,57% para 5,06705%. O euro subia 0,51% para US$ 1 3688, depois de tocar US$ 1,37 na máxima do dia, acima do recorde histórico anterior de US$ 1,3682. O dólar caía 0,65% para 122,44 ienes.

No mercado de Treasuries, os papéis subiram no começo do dia com compras especialmente de estrangeiros. Agora, operadores citam preocupações com o crédito subprime, principalmente porque o índice norte-americano ABX, que representa uma cesta de credit default swaps (CDS) de títulos hipotecários de maior risco e ativos de empréstimos imobiliários, continua a registrar forte pressão.

Os participantes do mercado de moedas dizem que a desaceleração das bolsas nesta manhã, provocada pelo alerta de resultado da Home Depot, causa nervosismo e acentua a pressão sobre o dólar, antes da fala de Bernanke. Os investidores temem que o presidente do Fed atenue sua retórica sobre o risco de inflação, o que, diminuiria as apostas de alta do juro e levaria a mais vendas da moeda norte-americana.

Contra o iene, o dólar é prejudicado também por aumento das especulações de alta no juro pelo banco central do Japão em agosto. O mercado comenta a possibilidade de alguns dos membros do comitê de política monetária do BoJ (BC japonês) votarem por elevação do juro já no encontro da próxima quinta-feira.

Os investidores posicionaram-se contra o dólar também na esteira da divulgação da balança comercial da China, que atingiu recorde de US$ 26,91 bilhões em junho. Os dados do BC chinês mostraram que as exportações do país superaram US$ 100 bilhões pela primeira vez, atingindo US$ 103,27 bilhões, oferecendo um forte argumento aos senadores norte-americanos, que tentam punir a China pela manutenção em baixa de sua moeda. As movimentações protecionistas são consideradas negativas para a moeda norte-americana.