O diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central (BC), Tony Volpon, afirmou nesta segunda-feira, 20, durante palestra para investidores em São Paulo, que se o Banco Central não tivesse credibilidade, a expectativa da inflação em 2017 não estaria caindo. “O fato de 2017 já ter ancorado, mesmo com inflação corrente alta, mostra credibilidade”, disse no evento promovido pela CM Capital Markets.

Segundo Volpon, as expectativas de inflação em relação a 2017 vão impactar as perspectivas também no ano que vem. “Com a situação que o BC enfrenta hoje, onde estaríamos se não tivéssemos focado em 2016?”, questionou, referindo-se ao objetivo da autoridade monetária de convergir a inflação para o centro da meta, de 4,5%, em 2016. “Se não tivéssemos colocado 2016 para convergência à meta, 2017 não estaria caindo”, afirmou.

Para Volpon, a ancoragem de expectativas é condição necessária para começar a reduzir juros. “Se o BC reduzir juro com base na ancoragem de 2017, pegará inflação corrente ainda alta”, disse.

DI

Tony Volpon foi bastante enfático ao afirmar que não está na autarquia para entregar o que está na curva do DI. Ele fez esta afirmação ao responder a uma pergunta, de um dos participantes do evento da CM Capital Markets, sobre se a curva de juros não iria subir caso a autoridade monetária não eleve a Selic a 14,5% ao ano, como indica a Focus nesta semana.

“Não estou aqui para entregar o que está na curva de DI. Me demitam (se for isso) e coloquem outra pessoa, de 20 anos”, afirmou o diretor do BC. Sobre o que mostram as expectativas na Focus, Volpon disse que as estimativas são exógenas e são colocadas pelos economistas. “São vocês que estão derrubando a expectativa de inflação”, disse.

Em rápida entrevista após ter feito sua palestra, o diretor disse que não estar vendo as expectativas caindo muito rápido. “Estão caindo. É queda, mas como eu disse, o jogo não terminou. A batalha se ganha pouco a pouco”, disse.