Em um dia de recordes e revisão de projeções para o crescimento da produção e de vendas de veículos no mercado interno, o resultado das exportações contrariou o otimismo do setor automotivo. Apesar da alta das vendas externas, que em valores tiveram alta de 9,3% em relação a junho de 2006 e de 2% na comparação com o primeiro semestre de 2006, o volume de veículos exportados diminuiu e fez com que a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) revisasse a estimativa de queda no volume de exportações em 2007 de 8,5% para 11%.

"As exportações preocupam e continuam a cair. Esse é o grande desafio da indústria e de todos que lidam com o setor, inclusive o governo. Temos que buscar medidas para enfrentá-lo. É absolutamente relevante e importante que essa presença no mercado externo, que essa magnitude de exportações, seja preservada", disse o presidente da entidade, Jackson Schneider, em referência aos 750 mil veículos que o setor prevê exportar neste ano, ante 843 mil em 2006.

Para o dirigente, a solução passa pelo aumento da competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional. A cobrança do presidente da Anfavea foi em relação ao recebimento dos créditos de ICMS devidos aos exportadores, segundo estabelece a Lei Kandir.

"Temos pontos específicos que têm que ser examinados, e um deles que acho importante reforçar, é o crédito de ICMS. A indústria automotiva hoje tem acúmulo de créditos de ICMS e uma demora importante no recebimento desses créditos", disse. "Isso gera um custo financeiro adicional ao produto que é exportado, tornando-se na verdade quase que um tributo indireto do produto exportado", acrescentou.

Investimentos

Apesar da queda no volume de exportações, Schneider afirmou que as montadoras vivem um momento de decisão em relação a novos investimentos, e nem mesmo a redução das vendas externas pode desestimular o setor. "Esse é um momento de análise importante em relação a investimentos. O momento é agora, entre o segundo semestre deste ano e os primeiros seis meses de 2008", disse, citando os recordes de vendas internas e de produção de automóveis.

Embora não tenha falado sobre os planos de investimentos das montadoras associadas, sob a justificativa de que a decisão é estratégica para cada companhia, Schneider deu sinais de que o setor, de uma forma geral, avalia oportunidades. "A decisão de investir, de reestruturação de capacidade ou de ajustes, dentro do modelo de negócio que cada empresa for adotar, é importante e deve entrar na mesa de decisões de vários atores do setor", admitiu.

Segundo Schneider, as montadoras esperam que a política industrial que deve ser implementada pelo governo venha ao encontro dessas demandas – mercado interno, exportações e investimentos.