exportacao121204.jpg

Unidade de estamparia de uma montadora:
matéria-prima indispensável.

Muito utilizado na indústria metalúrgica e automotiva, como também na construção civil, o aço tem causado ultimamente uma grande dor-de-cabeça para as empresas nacionais que o tem como principal matéria-prima. Isso porque, nos últimos dois anos, o mercado externo vem ditando o preço do material, tal como ocorre com o petróleo. De acordo com dados do Departamento Interestadual de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), só neste ano, foi registrado um aumento de 70% no valor do produto. Em 2003, o Brasil exportou 45,9% da produção de aço. Já em 2004, esse índice foi um pouco menor, 40,3%, queda de 5,56%.

"É uma percentagem absurda. Ficamos reféns do valor estabelecido pelo mercado estrangeiro, que consome grande parte de nossa produção. Infelizmente nossas empresas não têm condições de competir com as de fora", afirma o presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Paraná (Sindimetal-PR), Roberto Sotomaior Karam.

Em conseqüência desses altos valores impostos pelo mercado internacional, as grandes usinas produtoras de aço no Brasil resolveram impor cotas de compra para as pequenas metalúrgicas nacionais. O problema é que essas cotas vêm sendo gradativamente diminuídas ou até mesmo cortadas. Isso faz com que as empresas brasileiras tenham que recorrer ao mercado, aos atravessadores ou até mesmo a parcerias para adquirir a matéria-prima, o que acaba encarecendo ainda mais o valor final dos produtos. "Se extrapolamos nossa cota de compra, temos que arrumar outros fornecedores que não as usinas produtoras. Quando isso acontece, é prejuízo na certa", comenta o diretor comercial da Metalúrgica Gans, Willians Abbud.

Um outro industrial, que prefere não se identificar por receio de represálias, conta que sua cota de compras de 100 toneladas/mês foi cortada. Ele afirma ainda que o Brasil está exportando o aço em placa (produto em forma bruta, sem nenhum tipo de processamento). "Isso não está certo. Queremos e temos que exportar o avião pronto, e não apenas a matéria-prima."

Desemprego

A situação já começa a causar desemprego em algumas regiões. O vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) e diretor de mobilização da Força Sindical do Paraná, Nelson Silva de Souza, afirma que algumas empresas da área de abrangência da entidade já planejam demitir por conta da perda de mercado que vem ocorrendo gradativamente. Segundo ele, é preciso algum tipo de intervenção do governo para preservar o mercado interno.

Uma sugestão é a concessão de incentivos para as usinas que venderem parte de sua produção para empresas locais. "Isso não pode ficar ao sabor da economia livre", declara. "Enquanto favorece meia dúzia de grandes usinas de aço, o quadro atual prejudica milhares de pequenas e médias empresas brasileiras e milhões de trabalhadores", afirma Souza.

Produção nacional

O País tem atualmente seis grandes usinas produtoras de aço, entre elas a Cosipa e a Gerdau Sul-Minas. Essas e outras indústrias abastecem mercados de países como a China, por exemplo, que compra atualmente cerca de 25% do aço produzido no Brasil.

Para suprir a carência de matéria-prima para as empresas nacionais, o presidente do Sindimetal, Roberto Sotomaior Karam, acredita que a solução seria o surgimento de usinas de pequeno porte voltadas para abastecer somente o mercado interno. "É uma alternativa viável. Inclusive já existem projetos para a implantação de uma usina produtora de aço na cidade de Ponta Grossa (PR) e outra no estado de Pernambuco. Para atender nossa demanda, que é grande, precisamos de indústrias que nos abasteçam e se possível, com preços mais acessíveis", conclui.