Brasília (AG) – A falta de investimentos em infra-estrutura já está afetando as exportações. O alerta foi dado ontem no boletim “Notas Econômicas”, produzido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com base em dados fornecidos por empresas exportadoras, especialmente as do Sul do País. Segundo os economistas da CNI, não bastam apenas recursos para a ampliação da capacidade produtiva instalada no País.

“A expansão do mercado doméstico não é o principal entrave ao crescimento das exportações brasileiras, porque os dois mercados não são rivais. O problema maior são os gargalos em infra-estrutura. As críticas à falta de linhas de transportes e contêineres nos portos são crescentes”, afirmou o chefe da Unidade de Pesquisa da CNI, Renato Fonseca.

Pelo estudo da entidade, a recuperação do mercado doméstico tem sido cada vez mais intensa. Prova disso é que a produção e as vendas industriais completaram um ano de crescimento em junho último. As exportações crescem a taxas elevadas, sem dar sinais de desaceleração, mas já surgem temores de que a recuperação do mercado interno causaria uma redução nas vendas externas.

Como nos últimos anos as exportações foram o principal fator de demanda da economia brasileira, devido ao desaquecimento da demanda doméstica, alguns consultores e o governo passaram a discutir a possibilidade de o aquecimento interno causar danos às vendas externas. Uma das grandes preocupações é com a sustentabilidade do crescimento.

“O processo atual de crescimento das exportações não encontra paralelo na história do Brasil e, ainda que os resultados se fizeram notar nos últimos anos, seu início remonta à primeira metade da década de 90”, diz um trecho do boletim.

“Há uma discussão, que não procede mais, de que o Brasil exporta o excedente. Isso funcionava para as commodities, mas agora as exportações brasileiras estão vivendo um processo diferente, com a expansão das vendas de manufaturados. Ninguém quer perder mercado”, disse Fonseca.

Segundo o economista da CNI, o que está travando as exportações é a necessidade de investimentos feitos pelas empresas e, principalmente, nos gargalos de infra-estrutura, que, a princípio, seriam de responsabilidade do setor público. Ele destacou que, embora as exportações estejam crescendo bastante, pouco tem sido feito para melhorar rodovias, ferrovias e portos.

“No Sul do País, por exemplo, os exportadores não conseguem contêineres para embarcar manufaturados. E alguns produtores agrícolas chegaram a dizer que foi bom a safra de soja quebrar, pois não havia como escoar o produto”, afirmou Fonseca, defendendo a aprovação do projeto de lei que cria as parcerias público-privadas.