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Ministro Luís Carlos Guedes Pinto: desempenho muito positivo.

Apesar da valorização do real sobre o dólar e da crise do setor, as exportações do agronegócio em 2006 bateram recorde histórico e totalizaram US$ 49,422 bilhões. De acordo com dados divulgados ontem pelo ministro da Agricultura, Luís Carlos Guedes Pinto, as exportações do agronegócio apresentaram um crescimento de 13,4% em relação a 2005. Como resultado, a balança do agronegócio apresentou um saldo positivo de US$ 42,726 bilhões, também um valor recorde. As importações do agronegócio fecharam 2006 em US$ 6,695 bilhões, com crescimento de 31% em relação a 2005.

Em valores absolutos, as exportações brasileiras do agronegócio apresentaram um crescimento de US$ 5,8 bilhões, saltando de US$ 43,589 bilhões em 2005 para US$ 49,422 bilhões em 2006. Os principais produtos no ranking das exportações foram os do complexo soja (US$ 9,3 bilhões), carnes (US$ 8,6 bilhões), produtos florestais (US$ 7,9 bilhões), produtos do complexo sucroalcooleiro (US$ 7,8 bilhões) e produtos de couro e pele (US$ 3,5 bilhões).

Segundo Guedes, os números da balança comercial do setor mostram que, apesar das dificuldades enfrentadas no ano passado, como os problemas fitossanitários, o setor apresentou um desempenho ?muito positivo?. Ele disse que a taxa de câmbio não é a desejável, mas não foi um impedimento para o crescimento das exportações brasileiras. ?Apesar da valorização do real, o setor está conseguindo ser competitivo?, disse.

Para 2007, o ministro previu um ano positivo, com tendência de crescimento do setor. Guedes estimou um aumento das exportações de 10 a 15%, lembrando que o clima está favorecendo a safra e que está havendo uma recuperação dos preços no mercado, principalmente para a soja, o milho e o algodão.

Guedes também destacou que o mercado mundial de álcool tende a crescer e projetou, conforme levantamento da Conab, uma safra de grãos ligeiramente superior à anterior. Guedes disse que, apesar das estimativas de queda na produção, feita por analistas, que estimaram uma retração de até 20%, a safra 2006/07, que começa a ser colhida em março, deve ser de 121 milhões de toneladas.

Renegociação

O ministro descartou uma renegociação generalizada das dívidas dos agricultores em 2007. Segundo ele, as perspectivas para o setor em 2007 são positivas, com recuperação dos preços e condições climáticas favoráveis.

?Não há justificativa para uma prorrogação generalizada de dívida em 2007. Se houver necessidade de negociar alguma dívida, será muito localizada. Vamos analisar, quero deixar claro, caso a caso?, disse Guedes Pinto.

O ministro lembrou que, no ano passado, o governo prorrogou o pagamento de dívidas dos agricultores no montante de R$ 20 bilhões e deu apoio à comercialização de 23 milhões de toneladas de grãos, que custou R$ 3,280 bilhões. ?Foi o maior apoio já registrado à comercialização. Houve um apoio efetivo do governo federal para superar a crise?, afirmou. Na sua avaliação, esse apoio ao setor é que permitiu que não houvesse uma queda na expectativa de safra de 2006/2007. ?Vamos ter até um pequeno aumento?, afirmou.