Foto: José Adair Gomercindo/SECS

Gripe aviária prejudicou as exportações.

O agronegócio paranaense sofreu mais um baque em sua competitividade. As exportações do Estado totalizaram US$ 3,57 bilhões no acumulado janeiro/maio de 2006, uma retração de 6% (US$ 219 milhões) em comparação ao mesmo período de 2005 (US$ 3,79 bilhões), segundo levantamento da economista Gilda M. Bozza, do Departamento Técnico Econômico da Federação da Agricultura do Paraná (Faep).

Segundo a economista, que teve como fonte os dados do Ministério da Indústria e Comércio, além da queda em função da desvalorização do dólar e preços internacionais desfavoráveis, houve também queda de 14% no volume exportado, de 7,3 milhões de toneladas para 6,3 milhões de toneladas.

?Os motivos que vêm comprometendo os saldos do agronegócio passam por política cambial restritiva, altos custos de produção, juro elevado e carga tributária excessiva?, explica.

Para Gilda Bozza, convertendo esse desempenho negativo para Real, o prejuízo fica ainda mais evidente. Adotando um valor médio para o dólar, a perda de receita em função da política cambial é de R$ 1,34 bilhão em relação ao mesmo período de 2005. Aplicado o mesmo critério, as exportações totais do Paraná registram uma queda de 20%, passando de R$ 9,74 bilhões para R$ 7,81 bilhões, uma perda de receita de R$ 1,93 bilhão, valor que dividido entre os meses do acumulado representa um prejuízo de R$ 386 milhões por mês.

Em relação à queda de volume nas exportações, a ocorrência de febre aftosa do Estado e temor da gripe aviária estão entre os fatores que agravaram o desempenho do setor. Alguns dos principais mercados importadores registraram variação negativa em relação ao mesmo período do ano passado, como Estados Unidos, China, França e Itália, entre outros. Em termos de blocos econômicos a União Européia registra variação negativa de 11% e a Ásia apresenta queda de 13%. A exceção foi o Mercosul, com aumento de 31% das exportações, passando de US$ 327 milhões para US$ 429 milhões.