Foto: Ligia Martoni/O Estado

 Greve dos fiscais prejudica o setor.

Os dirigentes das mais representativas entidades do segmento de carnes do Paraná decidiram iniciar uma estratégia conjunta para garantir a expedição e o embarque da produção paranaense ao mercado internacional. Ontem, representantes da Associação dos Abatedouros e Produtores Avícolas do Paraná, Sindicato das Indústrias Avícolas do Estado do Paraná e o Sindicato da Indústria da Carne do Paraná (Sindicarne) decidiram que vão ingressar com uma série de medidas judiciais destinadas a viabilizar a exportação nos portos paranaenses.

O presidente da Avipar, Alfredo Kaefer, informa que a medida foi tomada em decorrência dos grandes prejuízos causados pela greve dos fiscais agropecuários, que completa 14 dias. Segundo Kaefer, a greve tem causado grandes prejuízos ao setor. ?Uma estimativa da Associação Brasileira dos Exportadores de Frango (Abef) aponta uma perda diária de US$ 14 milhões. Destes, 25% correspondem às perdas que o Paraná vem acumulando, ou seja US$ 3,5 milhões diários?, afirma.

Kaefer avalia que a paralisação já está prejudicando o desempenho das exportações brasileiras que até outubro somaram 2,4 milhões de toneladas, enquanto a exportação paranaense chegou a 658 mil toneladas. Ele informa que todas as empresas voltadas à exportação estão tendo problemas, principalmente depois que parte dos 30% dos fiscais que retornaram ao trabalho por determinação judicial está deixando de encaminhar o certificado sanitário em conjunto com as cargas. Com isso os contêineres paranaenses pagam multa e taxa de permanência nos portos ao desembarcar.

Segundo o presidente do Sindiavipar, Domingos Martins, o empresariado não é contrário ao movimento por melhores condições de trabalho realizado pelos fiscais. Entretanto, lembra que a greve está paralisando toda a cadeia produtiva, prejudicando a geração de divisas ao País, ameaçando empresas e trabalhadores que estão com as atividades prejudicadas. ?Pior que o prejuízo material, é aquele que recai sobre a imagem do exportador brasileiro, que está sendo visto com desconfiança pelo mercado internacional por não conseguir cumprir os prazos de entrega das mercadorias já vendidas?, afirma.