A despeito da inflação medida pelo IGP-DI ter acelerado em 0,90 ponto porcentual na passagem de agosto para setembro, indo para 1,36% de uma alta de 0,46%, os economistas José Francisco Lima Gonçalves e Élcio Takeda, do Banco Fator, destacam a alta de 0,10 ponto porcentual do Índice de Preços ao Consumidor (IPC-DI).

No mesmo período, o IPC-DI, que mede a inflação na ponta do varejo para o consumidor final, subiu de 0,20% para 0,30%. Dado que as altas dos preços no atacado não chegam necessariamente na sua totalidade ao consumidor, a aceleração de 0,10 ponto porcentual do IPC-DI pode representar mais do que a elevação de 0,90 ponto do IGP-DI como um todo.

O destaque pelo lado das altas dentro do IPC-DI, de acordo com Lima Gonçalves e Takeda, ficou com o grupo Vestuário, que passou de 0,34% em agosto para 0,86% em setembro. A alta do Vestuário obedece ao padrão sazonal, já que com a chegada da primavera entrou no mercado a coleção de vestuário e calçados com nova tabela de preços.

Também foram destacadas pelos economistas do Fator as acelerações das altas dos grupos Habitação, de 0,35% para 0,51%, e Comunicações, de 0,05% para 0,20%. O grupo Alimentação desacelerou a trajetória de alta de 0,17% para 0,14% e o grupo Despesas Diversas, de 0,18% para 0,09%.

Puxado pelo aumento dos preços dos materiais de construção, que ampliaram a alta de 0,66% em agosto para 0,91% em setembro, o Índice Nacional da Construção Civil (INCC) – outro grupo do IGP-DI – acelerou de 0,31% em agosto para 0,43% no mês passado. A alta do INCC só não foi maior porque a mão de obra ficou estável na passagem de agosto para setembro.

No atacado, os preços subiram 1,90%, depois de uma alta de 0,58% em agosto. Os preços agrícolas tiveram alta de 2,04% em setembro ante 0,36% no mês anterior e os preços da indústria, no atacado, subiram 1,85% depois de já terem sido aumentados 0,67% em agosto.