Um relatório divulgado ontem pela direção da Estrada de Ferro Paraná Oeste S/A (Ferroeste) revela que a Ferrovias Paraná S/A (Ferropar) não está cumprindo as cláusulas do edital de licitação assinado pelo governo anterior, em 1996, quando o consórcio passou a explorar economicamente os 248 quilômetros entre Guarapuava e Cascavel, no Sudoeste do Estado, que formam a Ferroeste.

Segundo o documento, em dezembro de 1996 o consórcio Ferropar, que na época era composto pelas empresa Gmon Geral de Engenharia e Montagens S/A, Pound S/A, e FAO Empreendimentos Ltda., venceu a licitação pagando o preço mínimo de R$ 25,684 milhões pelo direito de administrar a Ferroeste, que foi construída entre 1991 e 1994 pelo então governador Roberto Requião.

No contrato a Ferropar se comprometeu a ampliar gradualmente a capacidade de transporte ferroviário adquirindo novas locomotivas e vagões, além de fazer a manutenção da malha ferroviária e reduzir o número de acidentes.

Segundo a atual direção da Ferroeste, hoje a Ferropar deveria possuir 54 locomotivas de 2,5 mil HP de potência cada e 646 vagões com capacidade de 60 toneladas cada. E até 2005, quando vence o contrato de concessão, a Ferropar deveria ter adquirido 60 locomotivas e 732 vagões.

Só que até o momento, apenas 17 locomotivas e 260 vagões foram comprados. Além disso, a potência dessas locomotivas (de 1,650 HP) é inferior à potência que determinava o contrato. Outro problema é que os vagões comprados pelo consórcio têm capacidade para 45 toneladas e o contrato de concessão estipulava vagões com 60 toneladas de capacidade.

Cálculos da direção da Ferroeste mostram que hoje mais de 3 milhões de toneladas deveriam estar sendo transportados pelas ferrovias anualmente, mas pouco mais de 1,2 milhão de toneladas são transportadas.

Nesta quinta-feira (22) o diretor-presidente da Ferroeste, Martin Roeder, esteve em Brasília, onde se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir os problemas. “Estamos preocupados por que o contrato não vem sendo respeitado e tudo indica que o consórcio não poderá cumpri-lo integralmente. Nossa meta é tentar resolver o problema o quanto antes para facilitar o escoamento da próxima safra paranaense”, afirmou o diretor administrativo, financeiro e jurídico da Ferroeste, Samuel Gomes dos Santos.