A queda do Nível de Utilização de Capacidade Instalada (Nuci) da indústria com ajuste sazonal, de 78% em janeiro para 77,5% em fevereiro, é mais um indício de que a produção da indústria recuou neste período. “O indicador poderia considerar que a produção está caindo”, avaliou o coordenador da pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Aloísio Campelo.

O nível do Nuci registrado em fevereiro foi, pela segunda vez consecutiva, o menor da série histórica disponível para esse tipo de índice, iniciada em outubro de 2005. O recuo de fevereiro foi verificado em todos os setores da produção, mas foi mais pronunciado em bens de capital, com diminuição de 75,0 em janeiro para 73,4 em fevereiro.

O Nuci dos bens de consumo caiu de 78,3 em janeiro para 77,2 em fevereiro e o dos bens intermediários recuou de 78,3 para 77,0 na mesma base de comparação. Já o indicador dos materiais para construção apresentou recuo de 82,5 para 82,0, nível considerado elevado para o coordenador da pesquisa.

Crédito

A percepção da indústria sobre a disponibilidade de crédito continuou a piorar entre janeiro e fevereiro, conforme a Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação, da FGV. De acordo com o levantamento, subiu de 42% em janeiro para 54% em fevereiro o porcentual de empresas que avaliam que o grau de exigência para concessão de crédito é elevado. Já o porcentual de empresas que veem facilidade na obtenção de crédito oscilou de 2% para 3% na mesma base de comparação.

“É o pior momento da série, desde julho de 2002”, apontou o coordenador do levantamento, Aloísio Campelo. “Certamente, isso influencia as percepções.”

A questão sobre o grau de exigência para concessão de crédito foi incluída na Sondagem da FGV em julho de 2002 e foi apresentada trimestralmente até dezembro do ano passado. Com a deterioração do mercado de crédito internacional, desde dezembro a FGV passou a questionar as indústrias mensalmente sobre este item.

Melhora

A alta de 1,3% do Índice de Confiança da Indústria (ICI), indicador-síntese da Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação, foi influenciada principalmente pelo segmento de materiais de transporte, melhora concentrada nas montadoras e fabricantes de autopeças, segundo a FGV. “Houve uma melhora muito expressiva nos materiais de transporte”, frisou Campelo, e acrescentou: “Melhorou tanto que puxou o indicador para cima”. Segundo ele, o indicador teria apresentado um desempenho negativo se não fosse pela alta dos materiais de transporte.

O segmento foi responsável, junto com as áreas de mecânica e metalurgia, por cerca de metade da queda do ICI entre setembro e janeiro, período considerado o auge da crise financeira internacional. “Agora, metalurgia e mecânica andam de lado e material de transportes melhorou”, apontou Campelo. Sozinho, o setor de material de transportes contribuiu com 142,4% da alta do ICI em fevereiro.

Entre os setores produtivos, o ICI dos bens de consumo duráveis – que inclui as montadoras – registrou alta de 31,5% de janeiro a fevereiro. O resultado destoa do verificado nos demais segmentos: bens de capital subiram 4,4%, materiais de construção avançaram 2,2%, bens de consumo não duráveis recuaram 1,4% e bens intermediários caíram 1,9%.