Apesar da confiança da indústria ter caído 2,3% na passagem de fevereiro para março, como demonstrou a sondagem da Fundação Getúlio Vargas divulgada nesta quarta-feira, o setor industrial ligado a investimento demonstrou otimismo com a situação econômica na atualidade, assim como nos próximos meses. Segundo o economista do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV), Aloisio Campelo, os segmentos de bens de capital e de insumos para a construção civil demonstraram apostar no crescimento da economia.

“A percepção dos segmentos mais ligados a investimento não está piorando. O resultado (de redução da confiança da indústria em março) está concentrado nos bens de consumo duráveis e não duráveis”, afirmou Campelo.

A interpretação do economista da FGV é que o aumento dos preços dos alimentos terá efeito sobre o consumo e a produção do grupo de bens de consumo não duráveis, mas esse deve ser um comportamento pontual.

Também os bens de consumo duráveis devem passar por um processo de desaceleração no segundo trimestre deste ano, estimou Campelo. O segmento deverá passar por uma fase de ajuste após a suspensão do programa de isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e também do orçamento das famílias.

Já os segmentos relacionados ao investimento demonstram passar por um período de “calibragem” ao longo do primeiro semestre, após forte queda no ano passado. “A partir do segundo semestre, também os duráveis podem voltar a crescer e, no caso dos não duráveis, o cenário de desaceleração é passageiro e deve voltar a crescer influenciado pela massa salarial”, projetou o economista da FGV.