A inflação na construção civil medida pelo Índice Nacional do Custo da Construção – Disponibilidade Interna (INCC-DI) em maio, que foi de 2,94%, foi a mais intensa desde junho de 1995 (3,12%). A afirmação partiu do coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros. De acordo com ele, dois efeitos levaram a este patamar atípico do indicador: o aquecimento no setor da construção, e a concentração em um período curto de tempo de reajustes de mão de obra em duas capitais, Brasília e São Paulo.

Na prática, é o movimento de aquecimento na construção que tem conduzido a reajustes nos preços de mão de obra em um nível muito mais elevado este ano, do que em anos anteriores. Quadros lembrou que os preços de mão de obra na construção sempre são reajustados nesta época do ano, entre maio e junho. Mas a magnitude da elevação nos preços foi fora do normal em 2011. A alta de preços de mão de obra no INCC-DI em maio deste ano, de 5,48%, foi a mais forte desde maio de 1995 (16,47%), de acordo com a técnica da FGV, Sonia Henriques.

A taxa em 12 meses do INCC-DI também disparou, com alta de 8,52% até maio, a mais elevada desde maio de 2009 (8,98%). Isso porque esta taxa acumulada também incluiu uma taxa mensal do INCC-DI de maio de 2010, referente ao período de reajustes de mão de obra no ano passado (que também ocorreu no mesmo mês).

Para a especialista da fundação, a inflação na construção civil medida pelo INCC-DI pode encerrar este ano com aumento em torno de 11% a 11,5%. “E isso é uma projeção conservadora. Mas com certeza vai encerrar acima do ano passado, quando o INCC-DI subiu 10,41% “, afirmou ela.