O coordenador do Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), Paulo Picchetti, disse nesta quinta-feira, 6, prever uma inflação de 0,70% para o indicador da Fundação Getulio Vargas (FGV) em março. Segundo ele, a Alimentação será o principal foco de pressão para o terceiro mês de 2014.

A expectativa de Picchetti leva em conta os sinais que já estão sendo captados pelas pesquisas de ponta da FGV. Segundo ele, o tomate, por exemplo, já está mostrando altas em torno de 30% nestes levantamentos específicos, enquanto a batata inglesa vem apresentando variações positivas na casa de 20%.

“Março, provavelmente, será marcado por uma pressão de Alimentação, principalmente, na parte de In Natura”, comentou Picchetti. “De resto, não há nada muito de importante previsto para os demais grupos”, destacou.

No IPC-S de fevereiro, o grupo Alimentação mostrou aceleração nas pesquisas finais do mês e atrapalhou a desaceleração no índice que estava sendo puxada pelo grupo Educação. A alta média dos alimentos, de 0,82%, foi inferior à de 0,93% do encerramento de janeiro, mas superou a variação de 0,61% da terceira quadrissemana de fevereiro. O grupo Educação, por sua vez, saiu de um avanço de 4,47% em janeiro para uma variação positiva modesta de 0,28% no fim do mês seguinte.

Para Picchetti, esta aceleração da Alimentação foi o principal fator responsável para o IPC-S ter ficado um pouco acima da projeção mais recente da FGV para o período, de 0,60%. Vale lembrar que, no início de fevereiro, a estimativa do coordenador para o índice era de 0,40%, ajustada depois justamente por causa dos sinais de aceleração na Alimentação.

Se a taxa de 0,70% de março for confirmada, ela ficará muito próxima da observada no mesmo mês de 2013, quando a inflação foi de 0,72% no âmbito do IPC-S. Com isso, não deve haver grandes mudanças no nível de inflação de 12 meses, que, até fevereiro de 2014, acumulou taxa de 5,95%.

Picchetti não modificou sua projeção para o IPC-S de 2014, de 5,90%, e não mostrou otimismo com o cenário de inflação. Segundo ele, o indicador acumulado em 12 meses não dá sinais de desaceleração significativa no curto prazo e, justamente por isso, não há motivos para comemoração.

“É (um nível) alto. Estamos historicamente fechando os últimos anos coma a inflação no patamar próximo de 6%”, comentou o coordenado do IPC-S. “Este é um novo patamar da inflação brasileira de fato, basta olhar os números dos últimos anos. Podemos até ver uma mudança na composição destes números, mas sem sinalizar minimamente alguma coisa que faça o patamar convergir à meta central de 4,5%”, opinou, citando o ponto central que o Banco Central vem perseguindo para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).