O minério de ferro em queda levou à deflação de 0,21% na primeira prévia do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) de julho, segundo o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros. O especialista explicou que, na primeira prévia do indicador de junho, a inflação ainda sofria o impacto do reajuste trimestral do minério, efetuado pela Vale, que já foi captado na primeira prévia de julho.

Isso fez com que o preço do minério saísse de uma elevação de 9,38% para uma queda de 1,58%, entre a primeira prévia de junho e a primeira prévia de julho. O comportamento do minério também contribuiu para a queda atípica dos preços industriais no atacado, no mesmo período (de 0,29% para -0,07%).

Mas o especialista fez uma ressalva: vários produtos de peso no cálculo da inflação atacadista estão subindo de preço, ou com deflação mais fraca, mesmo com a intensificação da deflação da primeira prévia do IGP-M, de junho para julho (de -0,09% para -0,21%). “A trajetória da primeira prévia do IGP-M de julho foi muito concentrada na queda do minério de ferro. Produtos importantes como o álcool hidratado, por exemplo, já pararam de cair e estão subindo de preço no atacado (de -12,82% para 6,18%)”, alertou.

Para o especialista, de uma maneira geral os IGPs ainda mostram para julho sinalização de enfraquecimento das taxas de deflação observadas em junho, principalmente dentro do atacado. Ele chamou atenção para o comportamento de preços das matérias-primas brutas agropecuárias, que representam as commodities, e cuja queda passou de -2,63% para -1,43%, da primeira prévia de junho para igual prévia em julho. “Nem todos as commodities estão com os preços em queda. Trigo, arroz e milho já estão com os preços em alta”, afirmou, acrescentando que isso pode ser repassado para os alimentos no varejo.