O presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, reagiu com críticas à proposta do Ministério da Fazenda de reduzir de 35% para 10,5% a tarifa máxima de importação que o Brasil registrou na OMC (Organização Mundial do Comércio). A proposta diminui a tarifa média praticada de 10,77% para 7,39%, o que traria como conseqüência séria o corte em 62% das 8.822 tarifas para produtos industriais registradas na OMC.

A posição do Ministério da Fazenda, que foi exposta em documento com data de 19 de agosto, pode representar a maior abertura da economia brasileira dos últimos 15 anos, só comparável à realizada durante o governo de Fernando Collor de Mello (1990-1992).

?Eu acho graça (da proposta da Fazenda). É preciso que haja uma compensação para o Brasil e que isso não aconteça de forma precipitada e diria até irresponsável, seja pelo nível que foi sugerido, seja pela forma como foi sugerida, pelo momento que foi comentada?, afirmou.

Segundo Skaf, a redução de alíquotas precisa contar com a presença da indústria e levar em conta as diferenças econômicas de cada país.

?Qualquer intenção de perfurar a alíquota de importação tem de ser amplamente discutida com o setor produtivo?, afirmou.

O ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, que esteve ontem na Fiesp para participar do Fórum ?Oportunidades de negócios e investimentos na Nigéria? minimizou a polêmica.

?O (assunto) por enquanto é tema de conversas internas do ministério. Nós estamos tendo discussões preliminares?, afirmou.

De acordo com ele, a redução de tarifas além de ter um prazo para ser implementada, virá acompanhada de contrapartidas.

?Lembrando que qualquer desoneração que seja feita será num período de dez anos. O Brasil não fará nenhuma abertura unilateral sem que haja consistente concessão por parte de outros países em produtos em que o Brasil no Mercosul tenha grande interesse.?