Uma fila que chegava a dobrar a esquina se formou ontem em frente à agência da Caixa Econômica Federal, no centro de Curitiba. Eram trabalhadores que tinham dúvidas sobre o direito ao complemento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), que começou a ser pago na segunda-feira pelo Governo Federal. Apenas na agência localizada na rua André de Barros, foram 1,3 mil senhas distribuídas na segunda-feira e outros 600 atendimentos na triagem. O tempo de espera chegava a três horas. Ontem, o movimento foi ainda maior, segundo o gerente da agência, Cássio Fernando Monteiro.

“A maior dúvida das pessoas é se elas têm direito ao complemento, quando vão receber e quanto”, conta Monteiro. O problema, explica ele, é que mesmo os trabalhadores que sequer assinaram o Termo de Adesão ficam na fila para obter informações. “O fundamental é o trabalhador saber se tinha saldo no FGTS durante os planos Verão (janeiro de 1989) e Collor 1 (abril de 1990), independente se ele hoje está empregado ou não”, orienta. A assinatura do Termo de Adesão, que está disponível pela Internet e nos Correios, e o recebimento do extrato em casa – detalhando o valor a que se tem direito – são os passos seguintes. “Muita gente nos procura porque não recebeu o extrato. Mas é importante lembrar que ele será distribuído até dia 28 de junho”, salienta Monteiro.

Na primeira etapa, receberá o complemento do FGTS apenas o trabalhador que tiver direito até R$ 1mil , e que indicou no Termo de Adesão o número da conta corrente ou conta-poupança. Nesse caso, o numerário estará disponível na conta, sem que o trabalhador precise recorrer à Caixa ou a outros órgãos. A partir do próximo dia 19, os beneficiados serão aqueles que têm direito a saque e cujas empresas firmaram convênio com a CEF. Para esses, o pagamento das perdas será feito no contracheque, sem a necessidade de ir aos bancos. Para pessoas com direito a saque que não estão inclusas nessas duas situações, o pagamento começará no dia 26 de junho.

Monteiro lembra que são permitidos até 400 mil operações bancárias por dia. Como quase 15 milhões de trabalhadores de todo o País aderiram ao acordo, é provável que nem todos que têm direito a receber o complemento desde ontem já têm o montante disponível. “Não há como saber quando o dinheiro poderá ser sacado, porque isso não depende da gente, mas do sistema financeiro”, explica. E tranqüiliza: “Quem ainda não aderiu ao acordo, tem até 31 de dezembro de 2003 para aderir. Não há motivo para dormir na agência bancária.”

Impaciência

A professora aposentada Sueli Lopes era uma das que aguardava impacientemente na fila por duas horas. “Eu sou pedagoga e estou faltando ao trabalho. O pior é que acredito que o meu problema não vai ser solucionado”, comentou. Ela contou que tem R$ 460,00 para receber, mas que o montante ainda não havia sido depositado em sua conta. Já a ex-técnica em eletrocéfalo, Anelise Krevonis, aguardava na fila sem saber sequer se tinha direito ao complemento. “Trabalhei durante onze anos e só recebi R$ 1,2 mil de Fundo de Garantia. Estou aqui para saber se tenho direito a mais”, explicou. O autônomo Roberto Seixas também estava na fila. “Assinei a Adesão, mas não encontraram o meu registro. No extrato, consta que devo receber R$ 17,00, mas sei que não é só isso.”

CEF diz que cálculo do FGTS está correto

Brasília

(Agência Brasil -ABr) – O superintendente do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço da Caixa Econômica Federal (FGTS), Joaquim Lima, assegurou ontem, que a instituição não detectou falhas nos cálculos do crédito complementar referentes aos planos Verão e Collor I, que desde ontem está sendo pago aos trabalhadores com direito a receber até R$ 1 mil. “Todo o processo está absolutamente de acordo com a lei”, declarou.

De acordo com o superintendente, o cálculo para se chegar ao valor do complemento é bastante complexo e muitos trabalhadores podem estar confusos quanto à quantia a que têm direito. “Temos que lembrar que passamos por três planos econômicos durante estes 12 anos”, ponderou. Joaquim Lima informou ainda que do total de 113 milhões de extratos dos valores a serem creditados, a Caixa disponibilizou 53 milhões via internet e treinou 20 mil funcionários para atender aos trabalhadores nos Postos de Atendimento Temporário (PAT), criados especialmente para esclarecer dúvidas sobre os créditos dos complementos do FGTS.

Ao todo são 68 PATs distribuídos por todo o país, com atendimento das 8 às 20 horas. Além disso, o trabalhador poderá ligar para o número 0800 55 01010. Os extratos estão disponíveis no site www.caixa.gov.br .