O fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) pode ser um ingrediente a mais no incerto ambiente para a taxa básica de juros em 2008. Além do comportamento da inflação e do forte ritmo da demanda, os próximos passos do governo para compensar a perda do tributo serão cruciais na condução da política monetária pelo Banco Central (BC).

Para economistas, o ponto decisivo está associado ao superávit primário. O pior dos mundos, afirmam eles, seria o governo decidir reduzir o superávit e aumentar os impostos. Nesse caso, uma retomada do ciclo de redução dos juros estaria praticamente descartada no próximo ano e a possibilidade de uma alta da Selic subiria.

"Tudo isso junto – CPMF, inflação e desequilíbrio entre expansão da demanda e crescimento da oferta – significa muito claramente possibilidade de o BC ter de elevar a taxa de juro em 2008. A probabilidade desse evento é bem alta. No mínimo, de 30%", afirma o sócio-diretor da MCM Consultores e ex-diretor do BC, José Júlio Senna.

Para Alexandre Schwartsman, economista-chefe para América Latina do banco ABN Amro e ex-diretor do BC na gestão Henrique Meirelles, a história pode ser bem diferente se o governo cumprir a promessa de manutenção do superávit primário, o que significaria menos espaço para o crescimento da demanda. "A primeira reação do governo foi boa ao anunciar que manterá o superávit. Isso muda para melhor a situação?.