Buenos Aires

  – Um ano após o confisco das contas bancárias na Argentina, o chamado corralito chegou ao fim. Ontem foi eliminada a medida que nos últimos 12 meses limitou o saque de dinheiro depositado em contas correntes e poupanças. Ao contrário de algumas previsões, não há uma corrida aos bancos para sacar dinheiro e aplicar em dólar. O dólar livre caiu 0,5% em relação ao fechamento de sexta-feira e fechou cotado a 3,64 pesos, informou o Ambitoweb.

O Banco Central argentino (BCRA) deu um claro sinal de que não permitirá uma alta da moeda americana e interveio desde a abertura. O chefe de operações de uma importante empresa de câmbio afirmou que “com o passar dos dias se poderá ver para onde vão os fundos liberados do corralito”.

Nos primeiros dez meses de vigência do confisco, os argentinos só podiam retirar 1.200 pesos por mês (US$ 330). Em outubro passado, o governo aumentou o limite para 2 mil pesos (US$ 550). A decisão do presidente Eduardo Duhalde habilitará o saque de 21 bilhões de pesos (US$ 5,8 bilhões) dos bancos.

Apesar da disparada do dólar na sexta-feira passada – a moeda americana encerrou a semana cotada em 3,66 pesos, registrando alta de 1,9% em relação à véspera – o presidente do Banco Central (BCRA), Aldo Pignanelli, disse que a instituição tem reservas suficientes para conter uma nova escalada, caso a suspensão do corralito provoque um aumento da demanda de dólares.

Atualmente as reservas do BCRA somam US$ 10,3 bilhões. O governo ainda não decidiu quando liberará totalmente os depósitos a prazo fixo, uma das aplicações mais comuns na Argentina antes do colapso do sistema financeiro, em dezembro de 2001. No chamado corralón ainda restam US$ 6 bilhões presos nos bancos.

Na visão de Pignanelli, o dólar subiu semana passada “porque todos os meses a moeda americana sobe um pouco, durante alguns dias. Mas depois volta a cair. Desta vez, houve um coquetel de circunstâncias: era sexta-feira, fim de mês, havia uma enorme expectativa pela abertura do corralito, e em dezembro a demanda de dólares é sempre maior por causa das férias”, disse o presidente do BCRA.

Mas nem todas as notícias foram boas nesta segunda-feira. No fim de semana, o presidente assinou o decreto que reajusta entre 9% e 11% a conta de luz e em 7,2% a de gás. Associações de defesa dos consumidores já avisaram que recorrerão à Justiça.

– Não é um tarifaço. Apenas adequamos as tarifas, para garantir a manutenção dos serviços – disse Duhalde.