O coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), Antonio Evaldo Comune, elevou hoje, de 4,7% para 5%, a projeção para a taxa de inflação acumulada na capital paulista para 2010. Em entrevista na sede da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), ele explicou que a modificação foi realizada basicamente em função da alta mais forte do que se esperava para o IPC de setembro, influenciado em grande parte pela retomada do aumento nos preços dos alimentos, que subiram, em média, 1,57% no mês passado.

Hoje, a Fipe divulgou que o IPC subiu 0,53% em setembro, o que representou a maior taxa mensal em São Paulo desde fevereiro de 2010, quando o indicador registrou alta de 0,74%. O resultado do mês passado superou o teto das estimativas das instituições do mercado financeiro, que esperavam resultado entre 0,33% e 0,52%. Em agosto, a inflação paulistana foi de 0,17%.

Vale lembrar que o coordenador do IPC iniciou setembro trabalhando com uma estimativa de 0,25% para o fechamento do mês. Durante o mês passado, com a recuperação forte nos preços da Alimentação, ele elevou esta previsão para 0,30% e, depois, para 0,45%, número ainda inferior ao resultado anunciado hoje. Nos primeiros nove meses de 2010, o IPC acumulou alta de 4%, nível que já superou todo o resultado da inflação acumulada em São Paulo em 2009, de 3,65%. Nos últimos 12 meses encerrados em setembro, o IPC registrou taxa acumulada de 4,74%.

De acordo com o cenário esperado por Comune, os próximos três meses que faltam para completar o ano devem mostrar taxas menores de inflação. Para outubro, ele trabalha com uma previsão de IPC de 0,36%, que traz como influência principal uma estimativa de alta menor para o grupo Alimentação, de 0,70%. Para novembro e dezembro, o coordenador prevê taxas mensais médias de 0,30% para a inflação geral paulistana.

Questionado se o aumento na expectativa para o IPC de 2010 significaria uma maior preocupação com a situação da inflação, Comune respondeu que a taxa de 5% está ainda em sintonia com o cenário atípico observado em São Paulo neste ano, que contou com fatores de impacto mais fortes do que em 2009. “Tivemos este ano eventos como a alta do ônibus, os ajustes no IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e a chuva mais intensa do início do ano, que influenciou os preços dos alimentos”, lembrou, ressaltando que sua nova expectativa não leva em conta eventual novo reajuste nas tarifas de ônibus na capital paulista ainda em 2010.