A inflação de 1,34% registrada pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) em janeiro foi a taxa mensal mais expressiva para a cidade de São Paulo desde fevereiro de 2003, quando o indicador geral do período, ainda pressionado pelos impactos da forte valorização do dólar ante o real naquela ocasião, atingiu 1,61%.

A informação consta da base de dados históricos da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que contém os resultados de inflação na capital paulista desde 1939. A inflação divulgada hoje também é a mais expressiva para janeiro desde 2003, quando o índice avançou 2,19%.

A maior pressão para o aumento da inflação no mês passado veio do grupo Transportes, que apresentou alta de 4,58% e contribuição de 0,72 ponto porcentual (54,08%) de todo o IPC. Foi a maior taxa mensal para o grupo desde dezembro de 2006, quando apresentou elevação de 4,73%.

O maior vilão da inflação na capital no primeiro mês de 2010 e principal causador de uma taxa tão forte foi o reajuste de 17,4% que o prefeito Gilberto Kassab (DEM) determinou para as passagens de ônibus no município. Tal aumento fez com que, no IPC da Fipe, o item ônibus apresentasse uma elevação de 13,74% em janeiro ante variação zero em dezembro.

Os itens lotação e integração, que também haviam mostrado estabilidade no último mês de 2009, tiveram comportamento de alta expressiva por conta do reajuste promovido pela Prefeitura. O primeiro subiu 15,38% em janeiro. O segundo avançou 5,93%.

Somados ao impacto do ônibus, dois outros fatores sazonais definiram o comportamento do IPC em janeiro: o aumento tradicional nos valores das mensalidades escolares, com reflexo no grupo Educação; e a alta nos preços dos alimentos in natura, que, por conta de um mês com uma quantidade de chuvas ainda mais intensa do que a normal, influenciou de maneira importante a variação do grupo Alimentação.

Educação

No primeiro mês de 2010, o grupo Educação subiu 4,42% ante variação de 0,10% em dezembro e representou 0,16 ponto porcentual (12,34%) de todo o IPC, com destaque para o subgrupo Ensino Escolar, que apresentou elevação de 5,05%, formada por altas nos segmentos de Educação Infantil (6,87%), Ensino Fundamental (6,88%), Ensino Médio (6,69%) e Ensino Superior (2,89%).

O grupo Alimentação, por sua vez, apresentou elevação de 1,52% ante queda de 0,24% em dezembro e representou 0,34 ponto porcentual (25,78%) de toda a inflação paulistana. O subgrupo Produto In Natura avançou 4,44% no primeiro mês de 2010 ante variação de apenas 0,35%.