O coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), André Chagas, projetou uma desaceleração inflacionária em setembro. Em conversa com jornalistas, ele estimou o IPC-Fipe em alta de 0,22% neste mês, ante 0,34% em agosto.

O comportamento da inflação de agosto veio abaixo do piso das projeções de economistas consultados pelo AE Projeções. Chagas explicou que a alta no preço da energia elétrica, de 11,76%, foi em parte compensada pela queda na conta de telefone fixo, de 3,59%. A variação da energia elétrica contribuiu com uma alta de 0,42 ponto porcentual no índice do mês, enquanto a da conta de telefone fixo colaborou para uma redução de 0,10 ponto porcentual. “O comportamento de agosto parece que espelha os preços do semestre”, afirmou.

Dessa forma, ele manteve a projeção de alta de 5,50% no IPC para 2014, com viés de baixa. Isso porque os preços administrados não devem sofrer grandes alterações pelo menos até as eleições, ao mesmo tempo em que os preços da energia e da telefonia devem seguir a mesma trajetória de agosto.

No acumulado em 12 meses, o IPC registra alta de 5,49%. O coordenador do IPC estima que, em média, o índice deve variar entre 0,20% e 0,30% nos próximos meses, sendo que dezembro pode registrar uma variação ligeiramente superior por conta da sazonalidade de fim de ano.

Chagas ainda afirmou que a alimentação deixará de ser o grande vilão da inflação. No ano passado, o grupo alimentação registrou inflação de 1,2%, 0,8% e 0,65% em outubro, novembro e dezembro, respectivamente. Neste ano, alimentação já está em deflação (variação negativa de 0,43% em agosto), e Chagas explicou que o grupo é influenciado pelos efeitos defasados na queda dos preços de bens in natura e pela melhora da safra agrícola.

Apesar desse comportamento deflacionário em alimentos, Chagas não espera uma queda maior no índice geral por causa do controle nos preços administrados e pela deterioração das expectativas dos agentes quanto ao controle da inflação pelo governo.