Foto: Adriana Cardoso/Jornal do Iguaçu

Situação em Foz do Iguaçu deve se agravar a partir de hoje.

Os fiscais agropecuários do Paraná entraram em greve ontem e prometem permanecer com o movimento pelo menos até o dia 22 de junho. Entre as funções que desenvolvem, eles são responsáveis pela inspeção de produtos de origem animal e vegetal que entram e saem do País, além da emissão de certificados de qualidade em frigoríficos. Em todo o Estado, são cerca de 260 fiscais cujo trabalho é essencial nos postos de Foz do Iguaçu, no Oeste, no Porto de Paranaguá, no litoral, e também nos aeroportos. Porém, de acordo com o comando de greve, até agora não houve transtornos nesses locais. A paralisação ocorre também no restante do País.

Ailton Santos Silva, da Associação dos Fiscais Federais Agropecuários do Ministério da Agricultura no Paraná (Affama-PR), acredita que a situação em Foz e Paranaguá deve começar a se agravar a partir de hoje, segundo dia do movimento. Pelos fiscais de Foz, por exemplo, passam cerca de 100 caminhões, em média, em um dia.

Silva explicou que o principal motivo da greve é o número reduzido de fiscais. ?Do último concurso, realizado no começo deste ano, recebemos apenas 19 fiscais novos, mas precisamos de pelo menos mais 260 no Paraná. Queremos uma estrutura mínima para trabalhar com dignidade?, reclamou. Além de melhorias no quadro de pessoal, os grevistas pedem a criação de uma escola superior de fiscais agropecuários, para capacitação. ?São todos compromissos do governo federal desde 2005, mas até agora nada?, disse.

Silva afirmou também que os trabalhadores reivindicam a equiparação dos salários dos fiscais agropecuários com outras categorias, como a dos fiscais da Receita Federal, que também trabalham na aduana de Foz do Iguaçu, por exemplo. ?O nosso salário deveria aumentar em cerca de 20% para esta equivalência?, comentou.

Outros problemas são relatados pelos grevistas, como plantões freqüentes e horas-extras não-pagas. Na categoria há médicos veterinários, agrônomos, engenheiros agrônomos, engenheiros químicos e zootecnistas. A greve estava marcada para o dia 2 de maio. Porém, foi adiada por conta de uma solicitação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que pediu 60 dias para estudar o caso.

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, disse ontem que a greve dos fiscais agropecuários ainda não pode ser considerada um problema por conta da fraca adesão do setor, embora a Associação Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários (Anffa) afirme que a paralisação do setor ocorre em todo o País. Segundo ele, ?não há nenhuma justificativa para a realização da greve, porque os representantes do setor têm sido atendidos, inclusive por mim?.