A agência Fitch começa nesta quarta-feira, 18, em Brasília as reuniões com a equipe econômica para o processo anual de avaliação da nota de risco de crédito do Brasil com atenção redobrada dos investidores do mercado financeiro.

Segunda agência internacional de classificação de risco a enviar uma missão ao Brasil este ano, a Fitch permanece, desde 2011, com a nota de grau de investimento do Brasil dois níveis acima do grau especulativo e viés estável.

Como a Standard & Poor’s e a Moody’s – as outras duas grandes agências – fizeram movimentos da nota do Brasil, no ano passado, quando a deterioração dos indicadores econômicos brasileiros já havia se acentuado, é grande a expectativa em torno do processo de revisão da Fitch porque a agência ainda não se mexeu até agora.

A percepção no governo brasileiro, segundo apurou o Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, permanece otimista de que conseguirá uma trégua da agência. A avaliação é de que a Fitch tem a tradição de levar em consideração na sua análise os compromissos dos governos dos países analisados e deve aguardar a reposta da economia às medidas de ajuste fiscal e de política monetária implementadas pela nova equipe econômica.

“O compromisso do ministro Levy é forte. Não há razão para a Fitch se movimentar para baixo”, destacou uma fonte do governo. A avaliação é de que a mensagem de compromisso com a meta fiscal das contas públicas é clara e crível, permitindo a estabilização da dívida pública.

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, também deve reforçar que o crescimento da economia vai se recuperar a partir do segundo semestre. O governo avalia que precisa entrar “no jogo” do convencimento da agência transmitindo muita confiança na capacidade de as medidas adotadas darem uma resposta positiva ao quadro negativo da economia.

Em julho do ano passado, quando a Fitch manteve a nota do Brasil com viés estável, o comunicado da agência justificou a decisão dizendo que a diversidade econômica do País, as instituições relativamente desenvolvidas, uma alta capacidade de absorção de choques com uma robusta posição externa líquida e um sistema bancário adequadamente capitalizado contrabalanceavam a fraqueza estrutural das contas públicas.

A manutenção da nota do Brasil ocorreu meses depois de a Standard & Poor’s ter rebaixado o seu rating do Brasil. Logo em seguida, em setembro, a Moody’s, às vésperas das eleições presidenciais, rebaixou de estável para negativa a perspectiva da nota do Brasil.

Em comunicados recentes, a Fitch tem destacado que a estratégia do governo para incentivar o crescimento e enfrentar os desequilíbrios macroeconômicos, como a inflação elevada e os altos déficits fiscal e de conta corrente, será fundamental para a trajetória do rating soberano do País.

Num comunicado distribuído hoje, a Fitch afirmou que os mercados emergentes estão passando por uma desaceleração generalizada e, em alguns casos, até contração. A agência ressalta que o Brasil está em recessão desde meados de 2014 e prevê uma queda de 0,4% no Produto Interno Bruto (PIB) nacional em 2015.

Em 2016, o País deverá ter crescimento de “apenas” 1,5%, afirmou a Fitch em um relatório. O documento alimentou expectativas ruins sobre a avaliação do agência em relação ao Brasil.

Uma das preocupações da agência é com os efeitos das investigações de corrupção na Petrobras e das dificuldades políticas enfrentadas pela presidente. O governo quer mostrar para agência que com diálogo com o Congresso vai conseguir enfrentar as resistências às medidas. A missão é chefiada pela diretora senior de rating soberanos, Shelly Shetty. (Colaborou Lucas Hirata)