Na seqüência da disputa pela aquisição da Embratel, a Calais Participações elevou mais uma vez a sua proposta. O consórcio das operadoras de telefonia fixa formado por Brasil Telecom, Telemar e Telefônica anunciou que o pagamento inicial – e não-reembolsável – para a MCI (dona da Embratel) passou de US$ 396 milhões para US$ 470 milhões do total de US$ 550 milhões.

Segundo a Calais, os US$ 80 milhões adicionais serão recebidos pela controladora da Embratel após a aprovação da compra pelas autoridades regulatórias.

“A Calais oferece cobrir a multa por quebra de contrato entre a MCI e a Telmex”, declarou Otávio Azevedo, presidente do conselho da Telemar e representante da Calais. O valor da multa por quebra de contrato – US$ 12,2 milhões, segundo a proposta da Telmex – seria descontado da segunda parcela de US$ 80 milhões.

Segundo a MCI, amanhã, a Corte de Falências de Nova York realizará audiência para decidir a respeito da aprovação dessa multa contratual.

Na terça-feira, na mesma Corte, nova audiência revelará o comprador da Embratel.

A nova oferta da Calais é a segunda ao longo desta semana. No dia 19, o consórcio aumentou o pagamento da parcela inicial de US$ 360 milhões para US$ 396 milhões. A resposta da mexicana não tardou. Dois dias depois, a Telmex elevou a proposta total pela aquisição da Embratel para US$ 400 milhões.

De acordo com Azevedo, a revisão da proposta enviada na última quinta-feira para a Corte de Falências de Nova York também traz a introdução de um dispositivo legal. A Calais oferece a participação de um gestor norte-americano para supervisionar a transação entre a MCI e a Calais e para acompanhar todo o processo de um eventual acordo entre as duas partes. “(Esse) formato é bastante conhecido pela MCI e consiste na nomeação de uma pessoa com reputação e credenciais impecáveis como fiel depositário de um fundo fiduciário provisório”, diz nota divulgada anteontem pelo consórcio.

Para o representante do conselho da Telemar, a oferta da Calais é “muito superior” à da concorrente mexicana. Por esse motivo, ele diz estar otimista com o resultado da audiência.

Mas, apesar de empreender uma estratégia ofensiva para a compra da Embratel e de oferecer um valor mais alto, a Calais pode não ganhar a batalha com a mexicana. “Há grande probabilidade de que a Telmex leve a Embratel, pois o juiz deve levar muito em consideração o risco de o órgão regulador, no caso a Anatel, não aprovar a transação”, disse Maurício Fernandes, analista da Merril Lynch.

O ministro Eunício Oliveira (Comunicações), entretanto, prefere não arriscar um palpite ou ponderar sobre qual é a melhor oferta. “Não tenho uma preferência (pela Telmex ou pela Calais). Qualquer uma que seja vencedora e se enquadre dentro do marco regulatório. Não há manifestação deste ministério nem a favor da Telmex, nem a favor do consórcio Calais, nem a favor da Telos. O ministério é neutro”, declarou ontem. “Vamos aguardar a decisão lá (em Nova York). É o juiz que vai decidir”, completou.

Oliveira disse que há interesse governamental numa “golden share” (instrumento que garante poder de veto em decisões) na questão da Star One (empresa da Embratel que opera satélites). Segundo ele, o governo, por meio do BNDES, poderá participar da compra das ações da Star One.