Brasília – Nos primeiros seis meses do ano, o fluxo cambial, ou seja, a entrada e saída de dólares do País, foi positivo em US$ 939 milhões. O número divulgado ontem pelo Banco Central (BC) revela uma importante reversão da tendência verificada no primeiro semestre do último ano de mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Naquele período, as saídas de recursos externos superaram os ingressos em US$ 4,204 bilhões.O resultado, entretanto, já era uma tradução das desconfianças do mercado internacional em relação ao que poderia vir a ser um governo do PT, comumente identificado como adepto a um ideário de esquerda em seu sentido mais tradicional.

O caminho da reversão foi consolidado, em sua maior parte, com um forte desempenho das exportações. O volume das contratações de câmbio para a efetivação de vendas ao exterior bateu os US$ 33,279 bilhões no primeiro semestre. O valor é US$ 4,484 bilhões maior que os US$ 28,795 bilhões contratados em igual período de 2002.

As importações, em contrapartida, contaram com um nível de contratação de câmbio de US$ 21,952 bilhões, valor US$ 1,608 bilhão maior que os US$ 20,344 bilhões do primeiro semestre do ano passado. Somente no mês de junho, as contratações de câmbio para exportação ficaram em US$ 5,635 bilhões, contra os US$ 3 661 bilhões de contratos para importações.

As saídas de recursos pelas contas de não residentes (CC5) foram reduzidas nos primeiros seis meses de governo Lula de US$ 2,581 bilhões da primeira metade do ano passado para US$ 1,160 bilhão. Em junho, as CC5 registraram perda líquida de recursos de US$ 5 milhões.

“Este é um resultado que veio dentro da normalidade. As contas CC5 só costumam registrar grandes movimentações quando há alguma turbulência”, analisou o chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central (BC), Altamir Lopes, em entrevista coletiva concedida na semana passada, quando o fluxo ainda estava negativo em US$ 6 milhões. As saídas das CC5 em junho de 2002 corresponderam, segundo os dados do BC, a US$ 605 milhões.

O fluxo de saídas de rercursos oriundos de transações financeiras foi reduzido no primeiro semestre de US$ 45,336 bilhões de igual período do ano passado para US$ 41,724 bilhões. A queda não foi maior devido ao retorno de investimentos externos feitos no País ao longo dos primeiros seis meses do ano.

A venda do banco espanhol BBV ao Bradesco foi responsável, em junho, por uma saída de aproximadamente US$ 600 milhões do País. A movimentação foi a maior responsável pelo fluxo cambial negativo de US$ 955 milhões registrado em junho, depois de dois meses consecutivos em que os ingressos de recursos externos superaram as saídas. O BC registrou, além disso, o retorno dos investimentos de estrangeiros que participavam do capital da Companhia Vale do Rio Doce e a saída de recursos provocada pela venda do Banco Fiat ao Itaú.