A fome está no topo da agenda do Fundo Monetário Internacional (FMI), juntamente com a crise financeira. O novo diretor-gerente da instituição, Dominique Strauss-Kahn, convocou os governos dos países membros para enfrentar o desafio dos altos preços dos alimentos. ?Se os preços da comida continuarem como estão, as conseqüências serão terríveis em muitos países, não só nos da África?, advertiu, e ?muitos governos bem-sucedidos nos últimos cinco anos verão destruído o seu trabalho.? Países dependentes de importação terão grandes problemas em suas contas externas e o empobrecimento causará instabilidade social e graves conseqüências políticas, afirmou.

Strauss-Kahn lançou a convocação, sábado à tarde, ao apresentar as conclusões da reunião do Comitê Monetário e Financeiro do FMI realizada de manhã. Dois dias antes, ele havia anunciado a intenção de trabalhar com o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, para ajudar os países mais afetados pela alta dos preços agrícolas. Pelos cálculos do FMI, esses preços aumentaram em média 48% desde o fim de 2006, mas alguns produtos essenciais encareceram muito mais que isso. Numa entrevista na quinta-feira Zoellick mencionou a alta de 75% do preço do arroz em apenas dois meses.

A especulação financeira tem contribuído para ampliar a alta de preços dos alimentos, assim como do petróleo, como lembrou ontem o chefe do Departamento de Análise de Mercado da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), Mohammad Alipour Jeddi. Muitos investidores têm desviado suas aplicações para o mercado de produtos básicos – especialmente petróleo e produtos agrícolas – em busca de maiores ganhos e de proteção contra a instabilidade no setor financeiro e o risco de inflação. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.