O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, disse em entrevista ao jornal francês Le Figaro que é preciso mudar as práticas de funcionamento do Fundo para atrair países que estavam se afastando da instituição. Perguntado sobre como a voz de países como Índia ou Brasil, por exemplo, será mais ouvida pelo Fundo, Strauss-Kahn disse que está empenhado numa reforma que não se limite à questão das quotas do FMI.

"É por isso que países da América Latina tentados a se afastar do Fundo depois da crise argentina estão em vias de se voltarem para nós", disse, acrescentando que o mesmo acontece com países da Ásia. Solicitado a dar um exemplo dessas mudanças, Strauss-Kahn respondeu: "O presidente brasileiro Lula me disse outro dia: Estamos prontos a ajudar a Nicarágua a se dotar de centrais elétricas, mas é necessário que o FMI aceite que o endividamento da Nicarágua aumente´".

Segundo o diretor-gerente, o FMI então trabalhou para colocar em ação um procedimento que permite que as ajudas estrangeiras ao Fundo, vindas diretamente de um país, sejam tomadas em conta pelo programa do FMI.