O FMI (Fundo Monetário Internacional) fez ontem uma análise positiva da economia brasileira e pediu “calma e serenidade” ao mercado financeiro. “A situação é muito boa e não devemos perder a cabeça”, disse o chefe da missão do Fundo que está no Brasil, Phil Gerson, após se reunir com o ministro Antônio Palocci (Fazenda), em Brasília.

Nos últimos dias o mercado financeiro tem mostrado bastante nervosismo com o provável aumento dos juros no Estados Unidos, com o processo de desaquecimento da economia chinesa e até mesmo com o cumprimento da meta de superávit primário (receita menos despesas, excluídos os pagamentos de juros) de 4,25% do PIB (Produto Interno Bruto) neste ano.

Resultado: o dólar começou a se aproximar dos R$ 3, o risco-País subiu para quase 700 pontos e a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) teve no mês passado seu pior mês em mais de um ano e meio.

Phil Gerson, que deve ficar em Brasília por mais três ou quatro dias fazendo a segunda revisão do acordo de US$ 14,8 bilhões fechado com o governo no final do ano passado, tentou tranqüilizar o mercado enumerando avanços na macroeconomia.

Segundo ele, o Brasil tinha há três anos um déficit em conta corrente (o principal indicador da vulnerabilidade externa de um país) de 4,4% do PIB e agora tem um pequeno superávit, tinha um superávit primário de 3% do PIB e hoje tem 4,25% e tinha uma “estrutura de dívida muito pior do que agora”.

“Quero dizer que agora o País está muito mais forte e muito mais resistente a qualquer choque externo”, disse. “Devemos nos manter calmos, (…) ter serenidade para ver as coisas como elas são realmente.”

Superávit e spread

O secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, disse ontem que o Brasil só começará a discutir em junho ou julho com o FMI (Fundo Monetário Internacional) os projetos piloto para retirar investimentos em infra-estrutura do cálculo do superávit primário (receita menos despesas, excluídos os pagamentos de juros).

A idéia defendida pelo governo brasileiro é de que alguns investimentos a serem feitos por empresas estatais, por exemplo, são lucrativos e não podem simplesmente ser contabilizados como gastos públicos no cálculo do superávit. Dessa forma, o governo conseguiria mais recursos para investir sem comprometer a meta de superávit de 4,25% do PIB (Produto Interno Bruto).

Joaquim Levy disse ainda que o governo vai discutir a redução do spread bancário com a equipe de técnicos do Fundo Monetário Internacional (FMI) que está no Brasil para fazer a segunda revisão do acordo de ajuda financeira da instituição ao País.

“Reduzir o spread bancário faz parte da estratégia do governo e é um tema interessante para ser discutido com FMI, visto que o Fundo tem uma experiência internacional com bancos em diversos países”, disse o secretário.