Às vésperas do Natal de 1998, a Ford demitiu, por carta, 2,8 mil funcionários, quase metade da mão-de-obra em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. A medida deflagrou uma longa greve, a dos "golas-vermelha?, envolvendo o pessoal da produção. Às vésperas do Natal deste ano, todos os empregados – agora apenas 2,1 mil – foram convocados para evento inédito que ocorre hoje: o lançamento, na própria fábrica, do novo Ka, modelo com a qual a marca espera se aproximar das três maiores montadoras brasileiras.

Nos nove anos que se passaram entre um Natal e outro, a Ford, quarta maior empresa do setor, saiu de uma crise que quase fechou a fábrica do ABC para se tornar a montadora mais rentável do País. O grupo registra 15 trimestres de lucro na América do Sul, região em que o Brasil é líder de mercado. O resultado foi puxado principalmente pelo sucesso de vendas dos modelos Fiesta e EcoSport, feitos na fábrica da Bahia, inaugurada em 2001.

O novo Ka, totalmente diferente do atual, disputará mercado com Chevrolet Celta, Fiat Palio, Volkswagen Gol e Renault Clio, chamados carros de entrada (ou populares). Do momento em que a Ford prometeu aos trabalhadores estudar um novo produto para o ABC – como parte de acordo para salvar a fábrica e evitar greves – até hoje, passaram-se mais de seis anos.