As medidas adotadas no Paraná contra o plantio e a comercialização de organismos geneticamente modificados, principalmente soja, podem resultar no aumento da comercialização de produtos com a França. Foi o que deixaram claro, ontem, os representantes daquele país que estão visitando o Estado desde o início da semana. A comissão francesa assinou, na última segunda-feira, uma declaração com o governo do Paraná, dando apoio a posição do Estado em relação aos transgênicos. A idéia é formar uma cadeia produtiva de alimentos não transgênicos entre os dois países.

Hoje a França importa cerca de 5 a 6 milhões de toneladas de soja por ano do Brasil. Porém, o país é dependente em mais de 80% de proteína para abastecer o mercado interno. Isso poderá ser um facilitador para que o Estado amplie suas negociações. Segundo o membro do Conselho Agrícola da Bretanha, Yvan Le Mevel, a intenção não é apenas aumentar a importação da soja brasileira, mas direcionar essa transação com uma área segura.

Nesse sentido, destacou a vice-governadora da província da Bretanha, Pascale Loget, o Paraná confirmou a segurança que eles procuram em relação a rastreabilidade e confiança da soja produzida de forma convencional. Pascale ressaltou que no retorno ao país, a impressão sobre o Estado será trabalhada junto a organismos comerciais de regiões como França, Alemanha, Áustria e Bélgica.

O mesmo compromisso de levar essas informações sobre a soja do Paraná foi confirmado pelo representante da Confederação Camponesa Européia, René Louail. Ele adiantou que nos dias 13 e 14 deste mês haverá um encontro em Bruxelas, na Bélgica, quer irá reunir representantes de quinze países, e que a declaração assinada com o governo do Paraná fará parte da pauta do encontro.

Posição

Responsável pela produção de mais de 50% da carne de suínos e aves da França e por 6% da produção de grãos, a região da Bretanha deve ser declarada território livre de transgênicos no início de outubro. De acordo com Pascale Loget, 80% da população francesa já se manifestou contra o consumo de transgênicos, de forma direta ou indireta. Essa consciência foi atingida a partir de uma discussão que iniciou em 1995, quando o povo europeu teve conhecimento sobre a repercussão os organismos geneticamente modificados. Segundo Pascale, houve uma grande reflexão sobre o tema, que envolveu questões como saúde, meio ambiente e preservação da agricultura e produtores rurais.

“Nós já sofremos com a vaca-louca, crise do frango e estávamos perdendo o número de agricultores. Paramos para pensar até que ponto iríamos com tudo isso”, falou a vice-governadora. As mobilizações foram fomentadas por associações de consumidores e agricultores, e ecologistas. A partir daí, os políticos começaram a estabelecer proibições aos transgênicos. De acordo com René Louail, eles estão acompanhando as discussões sobre o tema no Brasil, e dependendo das decisões políticas que forem tomadas, poderá haver uma pressão internacional.