O sonho de abrir o negócio próprio está fazendo com que o sistema de franquias deslanche no País. Com crescimento anual estimado em 20% ao ano, o setor abrange cerca de mil empresas franqueadoras e 55 mil unidades franqueadas em todo o Brasil. A receita está em oferecer know-how para aqueles que experimentam o empreendedorismo pela primeira vez, em troca do pagamento de royalties ou taxas de franquia.

“Se a pessoa abrir um negócio sem ter know-how acabará escolhendo um lugar errado, terá má administração, mau gerenciamento e irá quebrar fatalmente”, apontou Ademar Pahl, organizador da Franchising Fair 2004 – Feira Nacional de Franquias -, que terminou ontem em Curitiba. O evento reuniu 120 diferentes marcas, distribuídas em 34 estandes. A expectativa, segundo Pahl, era que a feira gerasse cerca de R$ 1,5 milhão em negócios – número que, de acordo com ele, deve se confirmar ou até ultrapassar. Os carros-chefes, de acordo com ele, são os segmentos de serviços e alimentação, que “nunca sofrem revezes da economia.”

Para convencer de que a franquia é de fato a melhor opção, Pahl afirmou que, conforme dados do Sebrae, de cada dez pequenas empresas que abrem por conta, seis não sobrevivem no primeiro ano e apenas duas chegam ao quinto ano. “No caso das franquias, acontece o oposto: oito chegam ao quinto ano”, apontou.

Perfil

Para Mauro Trivellato, diretor da Pro Sul Franquias -que representa 85 marcas, entre a Porco Nobre, Sabor da Gula, entre outros -, o primeiro passo para quem deseja abrir uma unidade franqueada é escolher determinada marca que atenda seu perfil. “A pessoa que abrir uma unidade em um shopping, por exemplo, tem que estar ciente que não terá mais finais de semana, por exemplo”, comentou. “Ela tem que ter empatia pelo negócio em si, colocar-se no lugar do cliente e se perguntar se realmente compraria aquele produto.” De acordo com Trivellato, a tendência do mercado é a prestação de serviços e não a venda de produtos.

O segundo passo, orientou, é definir o investimento e evitar o financiamento junto ao banco. “Nos primeiros 60 ou 90 dias, pode não haver o faturamento necessário para cobrir as despesas e você poderá quebrar”, alertou. Segundo ele, o aconselhável é que o investidor tenha, no mínimo, 60% do capital necessário, e capital de giro suficiente para três meses.

Com relação aos preços, eles variam de R$ 7 mil a R$ 600 mil, segundo Ademar Pahl, organizador da Feira. Entre os clientes da Pro Sul Franquias, os preços variam de R$ 7 mil a R$ 350 mil. A marca mais barata é a UZ Filmes – película de insulfilme -por R$ 7 mil. “Este valor é para alguém que vai trabalhar como autônomo visitando empresas e não inclui despesas com o imóvel, por exemplo”, explicou Trivellato. Outras opções – bem mais caras – são o Porco Nobre (R$ 90 mil), Videoteca (R$ 75 mil), Engenheiro dos Sanduíches (R$ 80 mil), Homem Company – roupa masculina – (R$ 450 mil), entre outras.

Sobre os royalties, Trivel-lato afirmou que elas podem variar muito, conforme o faturamento e o tipo de negócio. No McDonald?s, por exemplo, a taxa é de 13% – 5% sobre as vendas e 8% referente ao aluguel.

Outros dados

Conforme pesquisa da Associação Brasileira de Franchising, 50% dos investimentos giram entre R$ 10 mil e R$ 50 mil, 19% entre R$ 50 mil e R$ 100 mil, 17% acima de R$ 100 mil e 14% abaixo de R$ 10 mil. O prazo de retorno acontece na maior parte dos casos (49%) entre 12 e 24 meses. A pesquisa revela ainda que 53% das franquias têm entre um e cinco funcionários, 18% delas estão localizadas na Região Sul – atrás do Sudeste, que concentra 60% -, 32% dos franqueados são ex-empregados e a idade média dos empreendedores é entre 36 e 45 anos.

Franqueado tem que ter cuidado

Segundo Mauro Trivellato, que também presta assessoria a franqueados, o interessado em atuar neste ramo precisa tomar uma série de cuidados para evitar aborrecimentos. “É preciso ver o que o franqueador oferece para que você se torne um franqueado de sucesso”, afirmou. Segundo ele, isso inclui prestação de treinamento e supervisão de campo. O futuro franqueado, segundo Trivellato, precisa observar ainda se o franqueador oferecerá apoio na gestão administrativa, comercial e financeira e se ele possui software próprio. A taxa de franquia cobrada também deve ser levada em consideração.

De acordo com Trivellato, quatro fatores são fatais para uma unidade franqueada: a ausência de capital, falta de planejamento, altos impostos e falta de treinamento. “Para ter sucesso em uma franquia é preciso seguir uma cartilha. Se você fugir do que está lá, pode não se dar bem.”

Indecisão

O administrador de empresas Oswaldo Marques, de Joinville, era um dos visitantes da Feira Nacional de Franquias. Indeciso entre abrir um negócio próprio ou buscar uma franquia, Marques afirmou que um dos empecilhos para a escolha da segunda é a série de exigências feitas pelas empresas franqueadoras. “Nas franquias que eu consultei só constavam obrigações do franqueado. E quando eu tentei inserir cláusulas, como a de prazo para entrega de mercadorias, não aceitaram”, contou. Outro problema, informou, foi a falta de seriedade por parte de algumas empresas pesquisadas, especialmente as pequenas. (LS)