Frutas resistentes a pragas ou com maior tempo para o armazenamento. Essas são algumas vantagens da transgenia na fruticultura, que começa a ganhar espaço nas discussões sobre os organismos geneticamente modificados, que hoje está focado principalmente nas sementes.

O tema foi apresentado ontem em Curitiba durante uma reunião técnica da Federação de Agricultura do Paraná (Faep), pela professora de Fruticultura da Faculdade de Agronomia Elizeu Maciel da Universidade Federal de Pelotas (RS), Márcia Wulff Schuch. Segundo ela, as pesquisas sobre o assunto ainda são poucas no Brasil. Isso porque, o tema da transgenia sempre foi tratado com preconceito, mas agora começa a ganhar respaldo e incentivos do próprio governo federal. Além disso, "pelas característica das frutas – ser lenhosas e de ciclo mais longo -, os trabalhos também se tornam mais difíceis", fala a professora.

O que impulsiona a continuação das pesquisas, comenta Márcia, são os casos de sucesso. Ela afirmou que no Havaí já existe uma produção em escala comercial de mamão transgênico desde 1998. "Em regiões do Caribe também se consome banana geneticamente modificada, e as pesquisas estão bastante adiantadas nos Estados Unidos e Europa, sendo que hoje 18 países já plantam e consomem transgênicos", comentou.

No Brasil, pela proibição da produção de transgênicos em campo, as pesquisas são feitas em laboratório. De acordo com Márcia, existem pesquisas com cultivares de maçã gala e mamão, onde, através da modificação do gene, se obtém uma fruta resistente a vírus e com maior tempo de armazenamento. Também estão sendo iniciados trabalhos de pesquisa com marmelo e framboesa. Entre as principais vantagens da trangenia na fruticultura, Márcia destaca o menor emprego de agrotóxicos durante a produção.