Funcionários do Banco Itaú cruzaram os braços novamente, ontem, em protesto contra o grande número de demissões que vêm assombrando os bancários da instituição em todo País. Foram 60 agências fechadas no Paraná, das quais 23 só na região central de Curitiba. A primeira mobilização aconteceu no dia 23 do mês passado.

Desde o começo do ano até agora, o Itaú já extinguiu 1.964 postos de trabalho no Brasil. Até ontem, o Sindicato dos Bancários já contava 170 demissões em Curitiba e região. No ano passado foram 202 bancários demitidos. De acordo com dados do sindicato, a maioria dos demitidos tem mais de 20 anos de empresa e está na faixa acima dos 45 anos, ou seja, são funcionários que têm custo maior para a instituição, o que, para o presidente do Sindicato dos Bancários, Otávio Dias, é uma incoerência. “A gente está falando do maior banco privado brasileiro que lucrou R$ 14 bilhões em 2011. Só no primeiro trimestre deste ano, o lucro líquido é de R$ 3,4 bilhões. O Itaú está entre as dez empresas que mais remuneram seus diretores e são justamente esses bancários que fizeram com que o banco chegasse a esses números”, comenta.

O sindicato tem barrado a homologação da demissão das pessoas em período pré-aposentadoria e encaminhado pedido de reintegração. Para os demitidos afastados por motivo de doença, o sindicato encaminha para perícia do INSS. Procurado pela Tribuna, o Banco Itaú informou que não iria se manifestar a respeito das demissões.

Taxas de juros

Para o Sindicato dos Bancários, as demissões não têm relação com a queda nas taxas de juros dos bancos, porque há aumento cada vez maior nas tarifas de serviços. A avaliação do sindicato mostra que os bancos usam a queda dos juros como marketing positivo, mas no bolso do cliente pesa do mesmo jeito por causa das tarifas.