As negociações salariais entre a Bosch e os cerca de 3 mil funcionários da unidade da empresa na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), iniciadas há cerca de duas semanas, podem resultar em greve devido à falta de entendimento entre as duas partes.

Ontem, em assembleia, os metalúrgicos rejeitaram a última proposta oferecida pela empresa, paralisaram as atividades por duas horas e exigiram um acordo melhor, sob pena de iniciar uma greve já a partir de hoje.

A companhia, que admite ainda sentir os efeitos da crise mundial, propõe pagar R$ 2 mil de abono, sendo R$ 500 em dezembro e R$ 1,5 mil em abril de 2010, corrigir os salários em 4,13%, de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) dos últimos 12 meses, e conceder aumento real de 3,5% em dezembro de 2010.

Já os funcionários querem, de acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC), 3,7% de aumento real a partir de janeiro de 2010 e abono de R$ 2 mil em dezembro.

A planta da Bosch em Curitiba produz componentes para sistemas a diesel e tem a maior parte de sua produção voltada ao mercado internacional. A empresa diz que não recuperou o nível de exportações e que a previsão de volumes de vendas para 2010 é significativamente menor do que a deste ano.

Em junho, a companhia efetuou cerca de 900 demissões e colocou 3 mil funcionários em licença remunerada, paralisando temporariamente toda a produção.

A companhia alemã informou, em nota, que a proposta apresentada é coerente à situação dos negócios e contribui para assegurar a competitividade e sustentabilidade da empresa no médio e longo prazo. “A Bosch respeita o direito de manifestação dos trabalhadores e esclarece que se mantém aberta ao diálogo”, conclui a nota.