Brasília (AE) – Os funcionários da Transbrasil querem ter o direito de negociar diretamente com o governo federal e empresários privados a solução para os problemas da companhia aérea. Segundo o presidente da Fundação Transbrasil, comandante Sérgio Borges Costa, esse seria o principal objetivo do contrato firmado quarta-feira (29) em São Paulo com a família do fundador da empresa, Ormar Fontana, e o ex-presidente e sócio da empresa, Antonio Celso Cipriani, que transferiu gratuitamente 54,78% das suas ações para a Fundação.

“A falta de credibilidade de Cipriani estava emperrando qualquer tipo de negociação para fazer a Transbrasil voltar a voar”, disse Costa. De acordo com o contrato, já registrado em cartório, a Fundação passa a ter 71,58% das ações e o comando da empresa.

Segundo Costa, que trabalhou 24 anos na companhia, ao assumir o controle, com a única meta de capitalizá-la e restabelecer centenas de empregos, os funcionários têm um argumento forte para que o negócio seja aceito. O acordo ainda precisará ser aprovado pela Curadoria de Fundações e por uma assembléia-geral extraordinária dos sócios da empresa.

A doação das ações era pleiteada há vários meses pelos diretores da Fundação Transbrasil, que chegou a reunir cerca de 5.200 funcionários da empresa aérea.

Na segunda-feira (3) vence o prazo de seis meses para que a Transbrasil volte a voar sob o risco de ter suas concessões cassadas. Desde o dia 3 de dezembro, os vôos foram interrompidos. Os funcionários ainda acreditam que o governo decida manter as licenças, diante do novo quadro societário e pelo fato de o mercado aéreo não estar demandando as linhas aéreas pertencentes à Transbrasil.

Dívidas

Com a companhia nas mãos, os funcionários querem negociar com o governo federal uma espécie de encontro de contas, para tentar reduzir as dívidas da empresa, que somam cerca de R$ 1 bilhão.

De um lado, o governo cobra dívidas com o INSS e a Infraero, mas a expectativa dos empregados é tentar eliminá-las com os créditos que alegam ter a receber do governo federal.

Investigação

Uma das primeiras atitudes da nova diretoria será realizar uma auditoria interna para verificar os prejuízos causados pela gestão anterior. “Ninguém vai esconder nada”, afirma um futuro membro do novo conselho, sugerindo que se forem comprovadas irregularidades na gestão de Cipriani ele será responsabilizado.

“Queremos que todos que lesaram a empresa sejam punidos”, disse essa fonte. O ex-presidente da empresa é acusado de desviar recursos em benefício próprio.

Os funcionários acreditam também que com uma diretoria nova será possível negociar a venda da empresa para sócios privados.

“Já recebemos contatos de vários grupos interessados na Transbrasil, mas que colocavam como condição para negociar o afastamento de Cipriani e da família de Fontana da companhia”, disse esse futuro integrante da nova diretoria.