O ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, recebeu as críticas dos empresários argentinos de que teria sido ?duro? nas negociações como um elogio. ?Sempre fui duro na vida. Duro, mas leal?, disse o ministro ao comentar as queixas feitas pelos empresários argentinos sobre sua resistência em aceitar proposta do país vizinho.

Furlan teria, segundo reportagem desta quarta-feira do diário portenho Clarín, inclusive ameaçado renunciar ao cargo se o governo brasileiro aceitar a proposta de salvaguardas (barreiras comerciais) apresentada pelo ministro da Economia, Roberto Lavagna.

A Argentina defende as salvaguardas para alguns setores que, segundo o país vizinho, não têm condições de competir com a indústria brasileira. Esses setores seriam protegidos pelas salvaguardas e, dessa forma, seriam evitados ?desequilíbrios? no Mercosul.

Furlan destacou, no entanto, que a Argentina é prioridade para o Brasil e que o governo continuará negociando uma forma de ?construir a competitividade? entre os dois países.

Ele considerou um exagero dizer que os empresários argentinos foram maltratados no Brasil. Segundo ele, os empresários do país vizinho foram bem tratados e uma prova disso seria que a reunião foi interessante e durou mais que o programado.

O ministro participou ontem da etapa final da Cúpula América do Sul-Países Árabes, em Brasília. Ele vai apresentar um relatório ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o encontro empresarial ocorrido paralelamente ao encontro político.

De acordo com o ministro, o objetivo da cúpula não era fechar transações comerciais, mas o encontro empresarial abrirá perspectivas de bons negócios. Ele informou que uma missão brasileira irá se encontrar com empresários e autoridades iraquianas em Amã (capital da Jordânia), em junho.

Os principais produtos brasileiros de interesse para os países árabes, segundo Furlan, são papéis e artefatos de papéis, máquinas para materiais de transporte, produtos químicos, materiais e serviços de construção civil, açúcar, jóias, alimentos e frutas.

Ainda em junho, o ministro irá também à Argentina para novas conversas com empresários e o governo do país. Questionado sobre o retorno antecipado do presidente Néstor Kirchner à Argentina, Furlan disse: ?Ele deve ter ficado muito satisfeito com as conversas?.

Palocci confirma que recebeu proposta

O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, confirmou ontem que recebeu da Argentina uma proposta que trata dos desajustes comerciais entre os dois países e os danos causados a alguns setores produtivos.

?Ele (o ministro Lavagna) entregou uma proposta para nós. Nós entregamos uma avaliação da proposta e ele ficou de avaliar e entregar uma segunda proposição?, disse. O ministro não quis comentar qual o teor do documento.

A segunda proposta argentina não teria sido entregue ainda, de acordo com o ministro da Fazenda. O jornal argentino Clarín edição de ontem, diz que a proposta foi entregue e que abrange ?medidas concretas? para compensar a produção de fábricas no Brasil que atendem o mercado dos dois países.

Os empresários argentinos apontam desequilíbrios nos setores têxtil, de calçados e eletroeletrônicos. A Argentina defende as salvaguardas (barreiras comerciais) para alguns setores que, segundo o país vizinho, não têm condições de competir com a indústria brasileira. Esses setores seriam protegidos pelas salvaguardas e, dessa forma, seriam evitados ?desequilíbrios? no Mercosul.