São Paulo – O governo pretende reduzir em R$ 10 o preço do botijão de gás, que custa em média R$ 29,60 no País. A Petrobras já começou a trabalhar para criar as condições para esta redução. A estatal tem a maior parcela sobre o preço final do produto – cerca de 37% -, mas condiciona sua participação no corte a uma contribuição de todos os elos da cadeia (revenda, distribuição e Estados e União, por meio da redução de impostos).

Distribuidoras e revendedores rechaçam o corte em suas margens de lucro, responsáveis, juntas, por 28,8% do preço final do botijão. Segundo o diretor do Sindicato das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás), Lauro Cotta, a redução defendida pelo governo teria de passar por um corte nos impostos. Pelas suas contas, os impostos estaduais e municipais representam R$ 7, ou cerca de 25% do preço final do produto.

Alívio

A eventual redução de R$ 10 no preço do gás de cozinha no varejo poderá proporcionar um grande alívio no custo de vida das famílias de baixa renda, que fazem praticamente todas as refeições em casa e, portanto, são grandes consumidoras do produto. No Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em que o gás de cozinha pesa 3%, a queda de cerca de 30% no preços equivale a um recuo de 0,90 ponto porcentual no índice em 30 dias, nas contas de Elson Teles, economista do Banco Boreal. Ele destaca que o impacto seria maior nesse indicador porque está voltado para famílias de baixa renda, que recebem mensalmente até oito salários mínimos.

Já no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE, no qual o peso do gás de cozinha é de 1,75%, a redução de 30% no varejo poderia aliviar o indicador em 0,50 ponto porcentual em um mês. No Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe), o gás de botijão pesa menos ainda, 0,71%. Logo, uma queda de cerca de 30% do preço no varejo representaria uma descompressão de 0,25 ponto porcentual no indicador em 30 dias, nas contas do economista.

Exagero

Teles observa que o preço do produto tem subido de forma exagerada em algumas capitais durante os últimos meses e não teve reajustes de preços no atacado. No IPC-Fipe, por exemplo, o preço do gás de botijão subiu 1,33% em abril, ante um índice de 0,57%. Em 12 meses, o produto acumula alta de 26,53%. Desde o início do Plano Real, em julho de 1994, até abril, o aumento acumulado foi de 502,27%, ante uma variação acumulada pelo IPC-Fipe geral que foi de 131,70%.

Teles observa que, se a vontade do governo se tornar uma decisão de fato, as camadas de menor renda deverão ser as mais beneficiadas com a medida.