O preço médio da gasolina continua caindo em Curitiba. Na última pesquisa semanal da ANP (Agência Nacional de Petróleo), o valor era R$ 1,876. Dos 122 postos pesquisados, apenas um vendia por R$ 1,799. O preço máximo de R$ 1,999 continua existindo na capital paranaense, porém vários estabelecimentos baixaram para R$ 1,799 e menos desde o último final de semana. Na Avenida das Torres, um posto BR anunciava gasolina comum a R$ 1,769. Ontem, a reportagem encontrou o combustível por R$ 1,750 num posto de bandeira branca no bairro Vista Alegre.

Segundo o presidente do Sindicombustíveis/PR (Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do Paraná), Roberto Fregonese, a queda foi provocada pelas distribuidoras, que estariam praticando dumping (venda abaixo do custo). “Uma companhia iniciou, as outras vão atrás”, relata. De acordo com a pesquisa da ANP, o preço médio da gasolina vendida pelas distribuidoras aos postos de Curitiba era R$ 1,734. Na refinaria, o custo para elas era R$ 1,65. “O mais barato que eles poderiam vender para a gente é praticamente o preço que está nas bombas. Não existe a menor hipótese de se trabalhar com essas margens”, diz Fregonese. Ele considera a situação de preços baixos momentânea, devendo se reverter a qualquer momento.

O Sindicom (Sindicato Nacional das Distribuidoras de Combustíveis) nega a prática de dumping, atribuindo os baixos preços à forte concorrência. “Não tenho conhecimento do que acontece aí nesse momento, mas o que posso dizer é que ninguém gosta de vender com prejuízo”, disse por telefone, do Rio de Janeiro, o diretor de defesa da concorrência do Sindicom, Alísio Vaz. “Se está acontecendo de uma empresa praticar preço absurdo, a melhor explicação é o excesso de competição, mas não é dumping. Isso poderia extrapolar o preço razoável, mas depois de alguns dias volta à racionalidade”.

Custo x benefício

“A briga entre as distribuidoras acaba beneficiando o consumidor em determinado momento, mas ao mesmo tempo cria maior risco de adulteração e sonegação fiscal”, pondera Fregonese. De acordo com ele, há diversas ofertas de produtos sem nota fiscal ou com notas clonadas. “Só uma fiscalização mais aprofundada vai pegar esse tipo de situação, por isso alertamos o consumidor para a maior quantidade de produto adulterado. A ANP não tem mais dinheiro para fazer diligências e a Receita está em final de mandato”, ressalta. Fregonese.

O Sindicombustíveis/PR orienta os consumidores a exigirem nota fiscal ao abastecer e, em caso de desconfiança sobre a qualidade do produto, solicitar ao posto a realização do teste de teor alcóolico. O caso mais comum de adulteração é a mistura de álcool em maior quantidade do que o percentual permitido por lei (25%). “Vale mais a pena ser chato na bomba do que ter um prejuízo maior com o carro”, destaca Fregonese, salientando que caso o proprietário do veículo se sinta lesado, deve acionar os órgãos de defesa do consumidor.