Os turistas estrangeiros gastaram no Brasil, de janeiro a agosto deste ano, US$ 2,104 bilhões – quase R$ 6 bilhões. O valor, recorde histórico para o período, é 36,36% maior do que o acumulado nos primeiros oito meses de 2003, segundo dados do Banco Central sobre o setor externo. “Devemos chegar ao final do ano com cifras de US$ 4 bilhões”, afirmou o presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), Eduardo Sanovicz, que esteve ontem em Curitiba.

O saldo para o período -diferença entre o que os estrangeiros gastaram no Brasil com viagens em relação ao gasto de brasileiros no exterior – ficou positivo em US$ 355 milhões. Em 2003, este valor foi de US$ 87 milhões. Apenas em agosto, registrou-se a entrada de US$ 257 milhões no Brasil com viagens internacionais – 12,22% mais do que em agosto do ano passado e valor menor apenas aos registrados nos meses de janeiro, fevereiro e março.

Em 2003, os cerca de 4,1 milhões de turistas que entraram no País foram responsáveis pela entrada de aproximadamente US$ 3,4 bilhões, representando uma variação 8,52% maior em relação ao ano anterior.

Segundo Eduardo Sanovicz, a criação do Ministério do Turismo – responsável por políticas públicas e infra-estrutura – permite que a Embratur se dedique exclusivamente à venda do turismo para o mercado externo. “Os números refletem o desenvolvimento do plano de ação do Ministério do Turismo, por meio da Embratur, na promoção, marketing e apoio à comercialização dos produtos, serviços e destinos turísticos brasileiros no exterior”, afirmou.

Segundo o presidente da Embratur, o rol de produtos -destinos turísticos – vendidos para o exterior vem mudando. “Durante meio século, o que se vendeu para o mercado externo era o turismo de lazer, sol e mar. Nosso grande produto de exportação agora tem sido a qualidade e a diversidade da produção cultural brasileira”, explicou, acrescentando que o conceito abrange da gastronomia à moda. Nesse sentido, a Embratur tem trabalhado com 11 temas no exterior, entre eles o ecoturismo, golfe, pesca esportiva, resorts, mergulhos, negócios e eventos e outros.

No caso específico do Paraná, o grande ícone, segundo Sanovicz, continua sendo Foz do Iguaçu. “Curitiba começa a despontar a partir do Estação Embratel Convention como local de negócios e eventos”, afirmou.

Turismo interno

Apesar de a Embratur trabalhar com a venda do turismo brasileiro para os estrangeiros, Sanovicz reconhece a importância de consolidar o turismo interno. “Sem uma base de sustentação doméstica não se pode partir para o mercado internacional. Trocar um pelo outro significa a morte do empreendimento”, apontou. E alertou: “Trabalhar no mercado internacional custa caro. Não se pode sair para este nível de disputa sem uma retaguarda”.

Entre os turistas estrangeiros que vêm ao Brasil, quase metade deles é da América Latina – especialmente da Argentina, Paraguai e Uruguai. Nesse sentido, os focos da Embratur são no seguinte sentido: atingir primeiro os países da América Latina, em seguida o mercado europeu, norte-americano e só então o asiático. “O ato de compra do turismo é um ato de consumo, e o primeiro cliente é o seu vizinho.”

Investimentos

O investimento do governo federal para o turismo este ano chega a R$ 100 milhões. Segundo Sanovicz, o valor em 2002 era de aproximadamente R$ 32 milhões. Conforme o Plano Nacional de Turismo, a meta é atingir em 2007 a marca de 9 milhões de turistas estrangeiros, volume de US$ 8 bilhões na balança comercial e geração de 1,2 milhão de empregos.

Na pauta de exportações, o turismo ocupa a quarta posição, atrás do grão de soja e farelo e da siderurgia. “A gente disputa posição com a Embraer. Se a Embraer exportar muitas aeronaves, ela passa para a quarta posição e a gente para a quinta”, arrematou o presidente da Embratur.

Quase 4 milhões de estrangeiros

O número de passageiros desembarcados em vôos internacionais ao Brasil foi de 3,9 milhões de janeiro a agosto deste ano, quantidade 15,71% maior do que o mesmo período de 2003. No mês de agosto, foram 525.954 desembarques, crescimento de 10,52% em relação ao ano passado.

O destaque nos números registrados pela Infraero (Empresa Brasileiro de Infra-Estrutura Aeroportuária) destes oito meses são os desembarques em vôos charters, que transportam exclusivamente turistas estrangeiros: os 212.819 desembarques destes vôos representam crescimento de 118,61% em relação ao ano passado.

Desde o acumulado de janeiro a julho deste ano, o número de desembarques em vôos internacionais charters já era superior ao registrado em todo o ano de 2003, que foi de 172.150. A Infraero também investe na promoção do Brasil: em agosto, assinou um convênio de R$ 21 milhões para operacionalizar as ações de fomento do turismo brasileiro no mercado internacional.