O movimento de alta da taxa básica de juros, a Selic, adotado pelo Banco Central desde abril e o forte agravamento da crise financeira internacional lançam sérias dúvidas sobre a criação de postos de trabalho e a evolução dos rendimentos reais dos trabalhadores no Brasil para o médio prazo. Contudo, a evolução robusta da economia nacional, que registrou crescimento de 6,1% no Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre deste ano ante o mesmo período do ano passado, deve sustentar o vigor da criação de postos de trabalho até o fim do ano. Essa é a avaliação dos coordenadores da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), realizada pela Fundação Seade e Dieese, Alexandre Loloian e Patricia Lino Costa

Em agosto, a taxa de pessoas sem ocupação atingiu 14% na região metropolitana de São Paulo, a menor marca para o mês desde os 12 9% apurados em agosto de 1995. Para as seis regiões metropolitanas pesquisadas (São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Salvador e Distrito Federal), a taxa média atingiu 14,5%, a menor marca para este mês de toda a série, iniciada em 1998.

De acordo com Loloian, que é o coordenador de análise da PED pela Fundação Seade, é muito difícil estabelecer uma tendência da evolução do emprego apurada pela pesquisa em razão do alto nível de incertezas que marcam o cenário financeiro global. “Mas o nível de atividade no Brasil está vigoroso, como vimos nos resultados do PIB no segundo trimestre, e provavelmente deve manter um nível robusto até o fim do ano”, comentou.