Durante anos, os gestores de carteira ocidentais têm sido relutantes em investir em ativos da China. Mas neste ano, essa cautela teve um preço.

“O ‘underweight’ (recomendação abaixo da média do mercado) está me custando muito em termos de desempenho”, disse Sammy Simnegar, ao abordar seu preconceito contra as ações chinesas ao compor o portfólio do Emerging Markets Fund Fidelity, que ele supervisiona. “Espero que os meus acionistas entendam a minha abordagem e visão de longo prazo.”

Ações da China compõem 15% dos ativos do fundo de US$ 3,7 bilhões – ainda a maior alocação a um único país. O Shanghai Composite Index subiu muito neste ano, porém Simnegar não mudou sua percepção, acreditando que o rali de 30% foi em grande parte impulsionado pelo avanço de grandes empresas estatais cujas previsões de lucro são questionáveis, em razão dos níveis elevados de dívida e de uma perspectiva de crescimento em deterioração na China.

Ele não está sozinho. Os gestores têm tipicamente alocado menos dinheiro para as ações chinesas. O fundo Fidelity, de Simnegar, subiu 4,2% este ano até sexta-feira, ficando aquém do ganho de 8,2% do índice MSCI de Mercados Emergentes.

Muitos outros gestores se encontram em um dilema semelhante. Os investidores que são apreensivos com a China estão tendo baixo desempenho na comparação com benchmarks. Ainda assim, eles dizem que são cautelosos quanto a um aumento de seus investimentos no país asiático, porque não querem comprar a preços excessivamente elevados.

Em um momento de fraco crescimento econômico e estímulos do banco central à economia chinesa – incluindo um corte na taxa de juros neste domingo – a valorização de muitos investimentos chineses parece impulsionada pela esperança de adoção de medidas expansionistas, e não por fundamentos.

Os investidores globais começaram a elevar a alocação em ativos chineses em meados do ano passado, depois que o governo anunciou uma série de medidas de estímulo. No entanto, a sorte começou a mudar quando os preços passaram por rali. Até agora neste ano, os investidores retiraram US$ 19,3 bilhões de fundos de ações dedicados à China, segundo o provedor de dados EPFR global. As saídas têm persistido por 12 semanas consecutivas, o mais longo período desde meados de 2013.

Mas alguns gestores dizem que pode ser cedo demais para determinar o final do movimento de alta. Investidores individuais da China têm sustentado os ativos. Dadas suas opções de investimento limitadas “há uma boa chance de que este rali possa durar muito mais tempo” do que o esperado anteriormente, disse Mark Mobius, presidente-executivo do grupo Templeton Emerging Markets.