São Paulo – A General Motors voltou atrás e suspendeu ontem as 450 demissões anunciadas na terça-feira na fábrica de São José dos Campos, interior de São Paulo. A empresa reviu os cortes após os trabalhadores aceitarem um programa de lay-off (suspensão temporária dos contratos), que envolverá 600 pessoas. Elas ficarão em casa por cinco meses a partir do dia 4. Os cerca de 8,5 mil funcionários ameaçavam entrar em greve hoje se o corte fosse mantido.

A GM concordou em não promover demissões nos próximos cinco meses, a não ser por meio do programa de voluntariado (PDV), que permanecerá aberto. Não há garantia de emprego para os afastados, mas o acordo prevê o pagamento de três salários extras para quem for dispensado após o retorno. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José, Luiz Carlos Prates, antes contrário ao lay-off, disse que foi a “solução possível por conta da atual condição do mercado.”

O vice-presidente da GM, José Carlos Pinheiro Neto, disse que o setor prevê melhora nos negócios nesse segundo semestre, mas não o suficiente para reduzir a ociosidade das fábricas, que passa de 40%. Os pátios continuam lotados de carros. Questionado sobre a crítica feita pelo ministro do Trabalho, Jaques Wagner, de que as montadoras precisam baixar os preços, ele foi taxativo: “Também acho que o governo deveria reduzir impostos.”

O lay-off prevê o pagamento de 90% do salário no primeiro mês e 80% nos meses seguintes. Os afastados receberão ainda R$ 83 mensais pelo vale transporte. Parte dos salários, segundo Prates, virá do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), em forma de bolsa de qualificação, conforme prevê a legislação.

Na unidade de São Caetano do Sul, o lay-off previsto para 150 funcionários pode não ser necessário porque a GM estaria obtendo adesões suficientes ao PDV que será encerrado no fim do mês. O Sindicato dos Metalúrgicos divulgou que a GM pretendia 300 inscrições, número não confirmado pela empresa.

Volks

A Volkswagen garantiu que o acordo de estabilidade para os empregados firmado com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e de Taubaté está mantido. O acordo prevê garantia de emprego para os funcionários da unidade de São Bernardo do Campo até 2006 e para os de Taubaté até fevereiro de 2004.

Durante mais de duas horas, os representantes da empresa reuniram-se ontem com sindicalistas em São Paulo para explicar o projeto de criação da Autovisão, uma divisão que será criada para atrair investimentos públicos e privados, gerar negócios e realocar 3.933 funcionários excedentes das unidades do ABC e Taubaté.